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	<title>Arquivos 1921 - Roberto Gerin</title>
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		<title>O Garoto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roberto Gerin]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Sep 2020 13:55:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>ATRÁS DE UMA LÁGRIMA HÁ UM SORRISO Com essa surpreendente obra cinematográfica, O GAROTO (50’), EUA (1921), Charlie Chaplin ressurge de um período de crise criativa. Já famoso e reconhecido, podemos assegurar que, com este filme, o roteirista, o diretor e o ator Chaplin fincam de vez os dois pés na fama reservada aos grandes [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h1>ATRÁS DE UMA LÁGRIMA HÁ UM SORRISO</h1>
<p>Com essa surpreendente obra cinematográfica, O GAROTO (50’), EUA (1921), Charlie Chaplin ressurge de um período de crise criativa. Já famoso e reconhecido, podemos assegurar que, com este filme, o roteirista, o diretor e o ator Chaplin fincam de vez os dois pés na fama reservada aos grandes nomes da sétima arte. É seu passo definitivo. Primeiro, ao deixar para trás questões pessoais que afetaram sua vida como artista; segundo, ao embarcar corajosamente em um novo e ambicioso projeto. Podemos imaginar o esforço despendido por Chaplin para atingir o resultado desejado. E o que se viu foi um salto de maturidade, pessoal e artística. Artística, pelo que já conhecemos de sua trajetória; pessoal, porque, de certo modo, em <em>O Garoto</em>, ele visita emocionalmente sua infância, os tempos em que o menino Charlie Chaplin passara seus dias em um orfanato, em Londres. Como viria a reconhecer o homem Chaplin, vivera dentro de uma infância trágica.</p>
<p>O filme apresenta estrutura relativamente simples. A mãe de um recém-nascido é rejeitada pelo pai do seu filho. Ela então resolve abandonar o bebê, colocando-o dentro de um carro estacionado em frente a uma mansão. Queria assim dar ao filho um destino glorioso. Mas o drama chapliniano entra em ação e o carro é roubado. E o bebê chorão é abandonado pelos ladrões no chão de uma ruela qualquer. Eis o pior destino!</p>
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<h2>Para oferecer uma ideia da organicidade dramática do filme, podemos dividi-lo em três momentos distintos.</h2>
</blockquote>
<p>Quem vai encontrar o bebê? O Vagabundo, lógico. E aqui a narrativa de fato começa, com um Chaplin enchendo a tela daquela poesia feita de pequenos gestos que vão construindo situações profundamente humanas. E sua tarefa é facilitada pela excepcional atuação do garoto, agora com cinco anos, o ator mirim Jackie Coogan, que, sem medo, desenha diante de nossos olhos um mosaico expressivo de emoções infantis, desprovidas de qualquer filtro.</p>
<p>Para oferecer uma ideia da organicidade dramática do filme <em>O Garoto</em>, podemos dividi-lo em três momentos distintos.</p>
<p>Primeiro, temos o início do filme, que começa quando a mãe (Edna Purviance) sai do hospital público, onde dera à luz o bebê, percorre todo o trajeto de abandono do filho, até chegar à cena em que o Vagabundo, após ler o bilhete deixado pela mãe, decide assumir os cuidados pela criança. São magistrais nove minutos de uma precisão narrativa rara de se encontrar no cinema. Predomina, nessa primeira parte, o drama da mãe, que se vê impelida a abandonar o filho.</p>
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<h2>Essa troca de papéis é a cereja cênica de <em>O Garoto</em>.</h2>
</blockquote>
<p>A alegria pela decisão do Vagabundo em acolher o bebê poderia, aos olhos do espectador, amenizar a dor materna. Mas não é o que acontecerá. A dor da mãe só se aplacará com o reencontro com o filho, o que se dará adiante, depois que ela própria se torna uma grande atriz. Nesse meio termo, a sequência de situações burlescas, em que o Vagabundo tenta de tudo para se ver livre do bebê, parece não ter fim. Angustiados, torcemos para que ele leve de uma vez por todas o bebê para casa!</p>
<p>A segunda parte é de pura magia cômica, e vai até o trigésimo primeiro minuto do filme. É Chaplin esculpido em carrara! Na sua quintessência, catapultado à perfeição pela também perfeita atuação do garoto Jackie Coogan, transformado no sósia mirim do Vagabundo. Quem cuida de quem, quem imita quem? Essa troca de papéis é a cereja cênica de <em>O Garoto</em>. São os momentos em que a tela se enche de ternura, transborda humanidade, é quando sentimos que a vida pode nos oferecer momentos de redenção. Ou, pelo menos, de esquecimento de nós mesmos.</p>
<blockquote>
<h2>A narrativa se fecha num melodrama comovente, ao estilo de Chaplin.</h2>
</blockquote>
<p>E, por fim, a terceira parte, quando predomina novamente o drama. O garoto cai doente e o asilo público interfere, separando o garoto do Vagabundo. E o drama se completa na ação heroica do Vagabundo, ao salvar o garoto das garras do orfanato, colidindo aqui com a história do próprio garoto Chaplin, que o diretor reconstrói através do cinema. O artista não se separa de sua vida.</p>
<p>Por fim, permeando as três atmosferas do filme, acompanhamos o processo de culpa da mãe pelo abandono do filho. Mas o destino, na caneta generosa do roteirista Chaplin, já está traçado.</p>
<p>A narrativa se fecha num melodrama comovente, sim, ao estilo de Chaplin, mas sem cair no vitimismo. Chaplin é um artista, ele precisa narrar a vida, mas precisa também preservar a arte. Para isso, usa uma ferramenta poderosa: o humor cravejado de ironia, estratégia esta que eleva o filme a uma imensa altura artística, fechando o ciclo de uma filmografia que vem para prestar contas de um passado que, se não se fecha, pelo menos se consola em si mesmo.</p>
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<h2>Após produzir <em>O Garoto</em>, Chaplin, na década de 1920, arremessa-se em direção às suas grandes obras.</h2>
</blockquote>
<p>Parece-nos difícil descrever aqui, neste curto espaço, tantas cenas que mereceriam atenção especial, tamanha a perfeição com que elas são cuidadosamente construídas. Já se sabe do perfeccionismo exagerado de Chaplin, que o fez inclusive ter sérios problemas com as distribuidoras, que passaram a não ter paciência para esperar pelo próximo filme do diretor. Esta situação levaria Charlie Chaplin, em 1919, junto com Douglas Fairbanks, Mary Pickford e o famoso diretor David W. Griffith, a criarem a United Artists, uma oportunidade para os artistas escaparem à tirania comercial dos grandes estúdios.</p>
<p>Em suma. Agora Chaplin está livre para acompanhar a rápida evolução (tecnológica e artística) do cinema naquela década de 1920, que pede cada vez mais variações de ação e emoção, pois agora as narrativas precisam caber nos sonhos de milhões de espectadores que começam a se acostumar a consumir ilusões projetadas nas telas. Charlie Chaplin não se acanha, não se encolhe. Pelo contrário. Arremessa-se em direção às suas grandes obras, provando mais uma vez que na arte não bastam as técnicas. Precisam-se dos sonhos, das esperanças, do coração. É assim que Chaplin se encontrará definitivamente com o cinema. Mergulhando nas profundezas criativas de sua própria arte.</p>
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<h3>Conheça <a href="https://escritorgerin.com.br/publicacoes/">O Voo da Pipa</a>, uma obra de Roberto Gerin.</h3>
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