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	<title>Arquivos 2018 - Roberto Gerin</title>
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	<title>Arquivos 2018 - Roberto Gerin</title>
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		<title>Green Book</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roberto Gerin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2020 09:00:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>UMA HISTÓRIA VERDE TRISTE Não existe na indústria cinematográfica cartão de visita mais vistoso do que o Oscar de melhor filme. GREEN BOOK (130’), do diretor Peter Farrelly, EUA (2018), tem esse cartão. Levou a estatueta, em 2019. Um dos bons indícios de que Green Book agrada são os aplausos que tem recebido ao final [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h1>UMA HISTÓRIA VERDE TRISTE</h1>
<p>Não existe na indústria cinematográfica cartão de visita mais vistoso do que o Oscar de melhor filme. GREEN BOOK (130’), do diretor Peter Farrelly, EUA (2018), tem esse cartão. Levou a estatueta, em 2019. Um dos bons indícios de que <em>Green Book</em> agrada são os aplausos que tem recebido ao final de algumas sessões de cinema. Vemos o espectador torcendo para que tudo dê certo e termine em mais uma inesquecível história de amizade, neste caso, entre um pianista negro e seu motorista branco. É um filme sobre o racismo. Nos Estados Unidos. Em plena década de 1960. Racismo, sabemos, é temática recorrente em Hollywood. Sempre rendeu bons filmes. E continuará rendendo, já que esta chaga social e suas tristes ramificações são um tema inesgotável. E doloroso, porque nos traz a percepção de que atitudes racistas nunca deixarão de existir. E de fato parece ser difícil extirpá-las, uma vez que o preconceito está atrelado a movimentos que têm por base a maldade humana. Quase que faz parte da genética. Mas o diretor Peter Farrelly, bem a seu estilo, nos salva de toda e qualquer angústia. Ele foge às dores e toma, de forma segura, a direção do cômico. O público, então, poderá rir. E ao final, aplaudir.</p>
<p>O que chama a atenção em <em>Green Book</em> é a ousadia da narrativa. Ela apresenta um motorista branco conduzindo um pianista negro pelas cidades do sul dos Estados Unidos. É querer briga! E esta parece ser a proposta do filme. Tanto é verdade que o pianista seleciona um sujeito truculento, pau pra toda obra, para ser seu motorista e guarda-costas. Se o norte dos Estados Unidos é mais tolerante à presença do negro, vamos para o sul, o velho e derrotado sul da outrora Guerra da Secessão! Lá eles não escondem a intolerância. Lá eles segregam. Lá eles determinam qual é o lugar do negro. O título do filme faz referência às normas compiladas que definem como os afro-descendentes devem se comportar por aquelas bandas. Que restaurantes frequentar, em que hotéis dormir. É o livro verde, o terrível G<em>reen Book.</em> Portanto, descer para o sul, sendo conduzido por um motorista branco, foi a ousadia do negro. Uma ousadia e tanto, diga-se. O que nos leva a ficar esperando por um filme chocante, bárbaro e único. No entanto, a ousadia se transforma em armadilha quando o filme foge do trágico e envereda para o humor. O que leva o roteiro, a nosso ver, a tropeçar nas próprias pernas.</p>
<p>Donald Shirley foi um pianista americano, de origem jamaicana, um virtuose do piano que fez muito sucesso nos Estados Unidos nas décadas de 1950 e 1960, mas que continuou ativo como músico nos anos seguintes, até vir a falecer, em 2013. É inquestionável a importância deste homem no mundo da música clássica, ainda mais sendo um negro se apoderando de um instrumento tipicamente branco e europeu, o piano. Não é pouca coisa. Seria ótimo se o filme tivesse dissecado este desafio. Mas o objetivo é outro. Fazer um recorte racista da turnê de Don Shirley pelo sul dos Estados Unidos, tendo Tony Vallelonga como seu motorista e protetor. Portanto, distanciando-se do negro, o filme passa a tratar de outra questão, mais divertida. Deixa falar e agir o truculento e superficial, mas simpático e engraçado homem branco.</p>
<p>O ítalo-americano Tony Vallelonga, interpretado por Viggo Mortensen, trabalhava como segurança em uma casa noturna, no centro de Nova Iorque, que, por sinal, chamava-se Copacabana. O negócio fechou para reforma e Tony fica temporariamente desempregado. E assim o roteiro prepara nosso brucutu para ser contratado pelo refinado pianista Don Shirley (Mahershala Ali) para uma turnê de oito semanas pelo sul dos Estados Unidos. Trafegam de cidade em cidade, o pianista cumpre a agenda musical, e, como é de se esperar, logo surgirá algum problema relacionado ao racismo. É a hora de Tony Vallelonga entrar em ação e impor a justiça.</p>
<p>Independente de ter merecido ou não ganhar o Oscar, <em>Green Book</em> é um filme que vale a pena ser visto. Basta não criar a expectativa de que encontrará discussões complexas nesta delicada questão da segregação racial. É apenas um filme bem feito, que usa uma temática espinhosa para criar situações de riso, construindo, com isso, um roteiro, eis a armadilha, convulsivamente episódico. Fica claro que o filme não tem pretensão nenhuma de ir a algum lugar. E aqui reside sua honestidade narrativa.</p>
<p>Para finalizar, vamos dar uma rápida olhada no arco da personagem Tony Vallelonga. O arco é definido pela trajetória da personagem ao longo da narrativa, que é quando ela começa de um jeito e termina de outro, geralmente transformada. Para melhor. Pois, se analisarmos esta trajetória, vamos ver um Tony Vallelonga bem no início do filme jogando no lixo, com nojo, os dois copos usados por dois negros na cozinha da sua casa. E ao chegarmos ao final do filme, vamos ver o agora amável Tony recebendo na sala da sua casa, em noite de natal, de braços abertos, o agora amigo e solitário negro, o pianista Don Shirley. Podemos nos perguntar a razão de tamanha transformação. O filme nos sugere a resposta. A de que o homem branco é, definitivamente, um cara bacana. Pena que ser bacana não é o suficiente para ajudar a reverter a triste chaga social do racismo que assola os rincões abastados (ou não) mundo afora. Para mudar a lógica do racismo teria que mudar o roteiro do filme. Não é possível, o filme já está pronto. E ganhou o Oscar.</p>
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		<title>Bohemian Rhapsody</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roberto Gerin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2020 08:00:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>UMA RAPSÓDIA AO AMOR O filme BOHEMIAN RHAPSODY (135’), do diretor Bryan Singer, Reino Unido (2018), tem sido visto por grande número de admiradores daquele que foi um dos maiores performers a subir nos palcos da música pop e rock. Nem se trata de colocar Freddie Mercury ao lado de um Michael Jackson, ou de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h1>UMA RAPSÓDIA AO AMOR</h1>
<p>O filme BOHEMIAN RHAPSODY (135’), do diretor Bryan Singer, Reino Unido (2018), tem sido visto por grande número de admiradores daquele que foi um dos maiores <em>performers</em> a subir nos palcos da música pop e rock. Nem se trata de colocar Freddie Mercury ao lado de um Michael Jackson, ou de uma Madonna, só para ficar nestes dois. Cada um deles é. E Freddie era, é, e se depender dos fãs será por muito tempo um destes artistas venerados pelo que eles simbolizam de sucesso, de magia e, às vezes, de trágico. O filme, no entanto, não é propriamente uma biografia do cantor. <em>Bohemian Rhapsody</em> se propõe antes de tudo a narrar a empolgante e às vezes conturbada trajetória da banda Queen, desde seu início, em 1970, até a morte de seu fenomenal <em>frontman</em>, em 1991. Sabemos que a banda não é só o vocalista. Quando se fala de rock, fala-se também do instrumental que dá o ritmo frenético, embala e leva ao delírio multidões que lotam estádios de futebol. Mas de nada valerá tanta virtuose sem aquele que move a multidão e retroalimenta seus delírios. E neste quesito, Freddie Mercury era quase imbatível. Como artista, ele era tão visceral, no palco e fora dele, que acabou por antecipar o seu fim. E aqui reside talvez o sucesso, a empatia e a força narrativa do filme. Não é um filme sobre Freddie ou sobre a banda Queen, em que pese o roteiro se debruçar, à exaustão, sobre estas duas imagens. O filme trata mesmo é da busca obsessiva pelo sonho de ser o que se nasceu para ser. Freddie era a música e tudo que girava em torno dele apenas servia para reafirmar o que ele sempre soube. Que sem música não há vida. Tanto não há, que ele morreu por ela.</p>
<p>Neste diapasão, o filme começa e termina com um dos momentos mais emblemáticos da banda. Sua participação, em julho de 1985, no Live Aid, que aconteceria em Londres, no antigo estádio de futebol, Wembley. E logo ficamos conhecendo como a banda se formou, seu início, as dificuldades em se firmarem no mercado fonográfico, as primeiras composições, os primeiros sucessos, as turnês, as conturbadas relações interpessoais, leia-se, as dificuldades de Bryan May (Gwilym Lee), John Deacon (Joseph Mazzello) e Roger Taylor (Ben Hardy) em lidarem com as intempestividades de um Freddie incontrolável. Disseca também o afeto que existia entre eles e que os unia. Um Freddie que não era apenas uma estrela que tinha plena consciência da sua importância como artista e como provedor de sucessos, mas também um ser humano que se afundava, perpassando por sua sexualidade, no mundo insuportável da solidão. E nesta solidão, ele encontrava apenas uma luz. Acolhedora. E que viria a ser seu grande amor. Mary Austin.</p>
<p>Dispensamos aqui tecer maiores discussões sobre o filme propriamente dito, inclusive sobre os questionáveis ajustes factuais (e temporais) em prol de uma linha narrativa mais sensacionalista e dramática. No entanto, muito se falou sobre isso e não há como nos omitirmos.</p>
<p>Um efervescente roteiro precisa de clímaxes e anticlimaxes, de preferência em abundância, e nisto o roteirista de <em>Bohemian Rhapsody</em> foi prodigioso, a ponto de nos colocar, os fãs que sempre querem saber da verdade, em sérias dúvidas sobre o que realmente aconteceu e o que são apenas factoides. Tirante as obviedades, aquilo de que já sabemos e que é inquestionável, surgem-nos, à medida que o filme vai se desenrolando, inquietantes perguntas sobre a veracidade dos acontecimentos, tais como&#8230; De fato, tiveram que vender a Kombi para arrecadar dinheiro para o lançamento do primeiro disco? Existiu mesmo essa Kombi? Quem primeiro ficou sabendo que Freddie estava com AIDS? E quando? Jim Hutton (Aaron McCusker) foi mesmo garçom? Em que pese não se tratar de uma biografia minuciosa do homem e ser humano Farrokh Bulsara (Freddie), portanto, para além do artista, de uma coisa temos certeza. Do amor de Freddie Mercury (Rami Malek, Oscar de Melhor Ator) por Mary Austin (Lucy Boynton).</p>
<p>Um dos jornais de grande circulação catalogou este amor como “estranho”. Estranho? Como assim&#8230;? Por acaso existe amor estranho? Por que seria estranho? Só porque, dentro da sua bissexualidade, Freddie optou por vivenciar suas relações com homens? E não poderia se comportar como “hétero”, isto é, amar uma mulher? A ponto de ele — eis a estranheza! — ter-lhe deixado a fortuna?</p>
<p>Em suma. O grande ato de dignidade de Freddie Mercury foi ter respeitado a mulher Mary, e nisto reside a grandeza do seu amor, assentada no caráter, portanto, no respeito à vida do outro. Mesmo tendo se afastado de Freddie, após ter ele assumido diante dela sua bissexualidade, e ter ela se casado com outro homem e tido com ele dois filhos, Mary nunca abandonaria Freddie. Foi, sim, um amor eterno, pois ele existiu até que a morte veio separá-los! Um destes amores para ficar no imaginário do público, e não nas inquietantes páginas dos jornais. Quanto ao filme em si, cumpriu sua missão comercial e publicitária. E ainda ofereceu ao público amante da boa música e de histórias de bastidores momentos para relembrar o ídolo que marcou gerações.</p>
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		<title>Roma</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2020 06:00:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O SILÊNCIO QUE NARRA O filme ROMA (135’), do diretor mexicano Alfonso Cuarón, México (2018), já recebeu muitos e esfuziantes aplausos desde que foi lançado, em agosto de 2018, levando o Leão de Ouro em Veneza, e provável levaria a Palma de Ouro se Cannes tivesse posto de lado a incompreensível rabugice de negar a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h1>O SILÊNCIO QUE NARRA</h1>
<p>O filme ROMA (135’), do diretor mexicano Alfonso Cuarón, México (2018), já recebeu muitos e esfuziantes aplausos desde que foi lançado, em agosto de 2018, levando o Leão de Ouro em Veneza, e provável levaria a Palma de Ouro se Cannes tivesse posto de lado a incompreensível rabugice de negar a inscrição do filme por se tratar de um <em>netflix</em>. E agora <em>Roma</em> aparece com dez indicações ao Oscar, com chances de levar algumas estatuetas, dentre elas a de melhor filme. Se a Academia quiser mesmo pisar no calcanhar do presidente norte-americano Donald Trump, por causa da questão do infame muro, ela, com certeza, dará o prêmio ao mexicano <em>Roma</em>. E devemos ainda colocar na conta dos aplausos o insuspeito entusiasmo dos críticos e periódicos especializados em cinema, alguns elevando <em>Roma</em> à condição de melhor filme produzido em 2018. Este é o invejável cartão de visita deste belo filme chamado <em>Roma</em>.</p>
<p>Do que trata afinal este filme para ser assim tão festejado? Fala do cotidiano de uma família classe média, num bairro chamado Roma, cidade do México. Portanto, uma proposta aparentemente simples. Narrar a vida de uma família, com suas felicidades e suas infelicidades. Como já dizia Leon Tolstói em uma de suas obras primas, “Ana Karenina”, já no primeiro parágrafo, “Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma a sua maneira.”. Por se tratar de um filme com fortes cores autobiográficas, baseado nas memórias pessoais do próprio diretor, que também assina o roteiro, fica difícil definir o grau de infelicidade de uma família que, a despeito de tudo, mantém-se de pé, firme e forte. Talvez seja porque Cuarón despeja afeto para falar da sua história. E, neste sentido, ele nega Tolstói. Uma família pode conviver com felicidades e infelicidades, numa sequência aleatória, e a intensidade dos sorrisos e das dores vai depender de como se enxerga cada momento. Na verdade, Cuáron não se abala com a infelicidade. Mesmo naqueles momentos de pura selvageria emocional, que culminam com o abandono das figuras masculinas na relação de marido e pai, ele mantém o otimismo. Na essência, o filme trata do abandono frente à necessidade de se continuar a vida.</p>
<p>É a partir de Cleo, a maravilhosa atriz Yalitza Aparicio, indicada, com toda justiça, ao Oscar de melhor atriz, que vemos a historia da família ser contada. Ela é a cereja do roteiro. É a narradora silenciosa, que tudo controla. É a corda tênue e vigorosa conduzindo o cotidiano da família. É do seu silêncio, do seu caminhar inseguro, descendo e subindo escadas, lavando a garagem e levando as crianças para a escola que exala toda a poesia que impregna o filme do começo ao fim. E a personagem ganha força quando sua trajetória de mulher abandonada se cola com a da patroa, que vê seu marido ir embora, desaparecer, e ela tendo que lutar para preservar os filhos, impondo-lhes a mentira da viagem do pai. Estas duas mulheres, socialmente opostas, com uma história em comum, se convergem na realidade do feminino. Como bem define Sofia (Marina de Tavira), a esposa covardemente abandonada, diz ela, “Nós mulheres sempre estamos sós.”. É como se as mulheres fossem condenadas ao abandono. Sabemos que não é bem isto. As mulheres merecem um destino à altura do seu papel. Portanto, nada de vitimismo. São apenas duas mulheres expondo suas fraquezas para se tornarem fortes. Ressignificam a vida a partir dos escombros. E esta é a grandeza poética do filme.</p>
<p>Apenas mais duas observações. A cena do parto é estrondosamente poética e pungente. Não vamos descrevê-la aqui, ficaremos somente nos adjetivos, deixando que o espectador, por conta, assista e tire suas conclusões. Se Ingmar Bergman ainda estivesse vivo e assistisse à cena, aplaudiria de pé. Com urros. Aliás, em vários momentos do filme vemos respingos de Bergman em Cuarón.</p>
<p>E por fim, a construção do personagem Fermin (Jorge Antonio Guerrero), namorado de Cleo. Temos aqui, tirando, claro, a protagonista Cleo, o personagem mais bem construído do filme, sintetizando a figura masculina nas suas mais podres e covardes atitudes, elevando a prevalência do macho quase à condição de mito. Com uma cacetada só, Cuarón revela mil anos de machismo.</p>
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		<title>Assunto De Família</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2020 04:00:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O PODER DO AFETO O filme do diretor japonês Hirokazu Koreeda, ASSUNTO DE FAMÍLIA (121’), Japão (2018), apresenta em sua estrutura narrativa uma proposta moral que nos assusta e ao mesmo tempo nos encanta. Se observarmos a realidade através deste filme, vamos perceber que os comportamentos cotidianos e a moral que os enquadra e os [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h1>O PODER DO AFETO</h1>
<p>O filme do diretor japonês Hirokazu Koreeda, ASSUNTO DE FAMÍLIA (121’), Japão (2018), apresenta em sua estrutura narrativa uma proposta moral que nos assusta e ao mesmo tempo nos encanta. Se observarmos a realidade através deste filme, vamos perceber que os comportamentos cotidianos e a moral que os enquadra e os define como certo ou errado andam bem separados. Como se fossem duas entidades estranhas, que não se falam nem se completam. Afinal, será que existe mesmo ladrão bom, afetuoso, emocionalmente honesto? Executivo de terno e gravata que exiba comportamentos para lá de condenáveis, portanto, um ser engravatado, mas perigoso? Se nos ativermos à lógica socialmente construída, vamos reagir a estas possibilidades. Ora, como pode um executivo ser mal e um ladrão, inofensivo? É o que o filme nos mostra, de uma forma surpreendentemente delicada. Maus e bons podem estar em lugares onde menos esperamos. Esta contradição por si só já torna o filme interessante. Mas para que a inversão de polos proposta por Hirokazu Koreeda funcione, é preciso que o filme nos comova e nos convença, pois, do contrário, poderá resvalar para o didatismo. Por sorte, o filme comove, e muito. E traz, principalmente na sua atmosfera narrativa, uma bala na agulha que é certeira. <em>Assunto de Família</em> é um belo tratado sobre o afeto. E é exatamente do afeto que ele se alimenta. E nos alimenta.</p>
<p>O filme nos mostra a vida cotidianamente normal de uma família de seis membros vivendo na periferia econômica de uma grande cidade do Japão. É uma família com todos os ingredientes. A mãe, Hatsue Shibata (Kirin Kiki), que não pode ter filhos, o marido e pai, Osamu Shibata (Lily Franky), que vive de bicos e prefere ensinar os filhos a praticarem pequenos furtos, e, lógico, a avó, a matriarca Nobuyo Shibata, que não é mãe nem avó legítima de nenhum dos membros da família, mas que está profundamente ligada a cada um deles, sendo seu sustento financeiro e afetivo. E os três filhos. Uma que já é moça, Aki Shibata (Mayu Matsuoka), e trabalha expondo seu corpo para <em>voyeurs</em>, o menino, Shota Shibata (Jyo Kairi), que junto com o pai furtam produtos de supermercados com o simples objetivo de levarem comida para casa, e o  terceiro filho, a menininha Yuri, a última a ser “adotada” e cujo processo de integração à família adotiva é o mote principal do filme, em torno do qual giram todos os pequenos fatos que compõem este belíssimo mosaico de relações espantosamente saudáveis, mesmo que funcionando ao abrigo das contravenções. Todos, de uma forma ou de outra, são desajustados e disfuncionais. Agora, coloque-os todos juntos, sob um mesmo teto, e, pasmem, terão uma família feliz e harmônica.</p>
<p>O filme inicia-se justamente no momento em que Osamu e seu filho Shota praticam mais um dos seus roubos em supermercado. Voltando para casa, deparam-se com a menina Yuri, sozinha em sua casa, desamparada e faminta. E reconhecidamente vítima de abusos físicos e psicológicos por parte dos pais. Como se fosse um produto de supermercado, eles a pegam e a levam para casa. Os outros membros, mesmo diante de frágeis argumentos contrários, acatam naturalmente a ideia de que a menina faça parte da família. E assim se estabelece o propósito do diretor. Ao nos contar a trajetória de Yuri na convivência com os Shibatas, ele vai mostrando as dinâmicas afetivas de uma família japonesa pobre, desajustada, mas surpreendentemente humana.</p>
<p>Para executar seus propósitos, o diretor tem o apoio de um roteiro consistente, de sua autoria, a fotografia é favorecida por enquadramentos calmos e fixos, e, acima de tudo, as atuações primorosas do elenco, com destaque para a atriz Sakura Andô, no papel da matriarca. Vale ainda destacar a habilidade com que a direção vai desfiando a trama, insinuando um fato aqui para depois explicá-lo ou revelá-lo lá na frente, e o faz sem estardalhaço, conduzindo o espectador para o desfecho final, que é quando a história de cada membro da família é dolorosamente revelada. E mesmo com as revelações, o forte elo que os une, presos pelo inquebrantável afeto, sobrevive. E sobrevive na magistral cena final, quando se encerra o filme com a menina Yuri olhando por cima do parapeito da sacada. O que é que ela busca com esse olhar? Só mesmo assistindo ao filme para saber.</p>
<p>Em suma. Para o belo filme <em>Assunto de Família</em>, família é tão somente um amontoado de pessoas, sem laços consanguíneos, que se amam. O resto é burocracia religiosa.</p>
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