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	<title>Arquivos cinema italiano - Roberto Gerin</title>
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	<title>Arquivos cinema italiano - Roberto Gerin</title>
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		<title>Ladrões de Bicicleta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roberto Gerin]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Jul 2021 13:19:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>MALDITO DIA QUE EU NASCI! Poucos filmes atacam as questões socioeconômicas com tanta virulência quanto o magnífico LADRÕES DE BICICLETA (93’). Com direção de Vittorio De Sica, produção italiana de 1948, o filme fotografa com precisão a angustiante luta de legiões de desempregados pela sobrevivência em um país devastado pela guerra. É o desespero para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2>MALDITO DIA QUE EU NASCI!</h2>
<p>Poucos filmes atacam as questões socioeconômicas com tanta virulência quanto o magnífico LADRÕES DE BICICLETA (93’). Com direção de Vittorio De Sica, produção italiana de 1948, o filme fotografa com precisão a angustiante luta de legiões de desempregados pela sobrevivência em um país devastado pela guerra. É o desespero para conseguir um emprego que nunca vem. Enquanto a necessidade de trazer para casa o pão nosso de cada dia se transforma em quase flagelo, levando o homem ao seu limite moral, presenciamos o retrato infame das inconsequências políticas que mergulharam a Europa em profunda desorganização social e econômica. O filme é um hino singelo ao ser humano exposto à própria sorte, num mundo em que é preciso marginalizar os valores em troca de um simples pedaço de pão. As misérias não se equivalem, elas se complementam no silêncio e na dor de cada um e de cada família. <em>Ladrões de Bicicleta</em> apenas traduz essa triste trajetória do homem na sua eterna busca por um confortável lugar ao sol. O problema é que alguém sempre irá roubar-lhe o sol. E com ele, a esperança.</p>
<p>Um humilde trabalhador, Antônio Ricci (Lamberto Maggiorani), após dois anos de tentativas, finalmente consegue um emprego como colador de cartazes. Mas há uma condição para que seja contratado pela empresa. Possuir uma bicicleta, o instrumento de trabalho que possibilitará a ele percorrer a cidade de Roma colando cartazes. O que a princípio parecia ser a felicidade de quem encontrara o tão almejado ganha-pão, transforma-se em pesadelo. Antonio não tem bicicleta. Aliás, tem. Mas ela fora empenhada em troca de dinheiro para alimentar a família. E aí entra a esposa Maria (Lianella Carell), que não perde tempo. Vende os lençóis, enxoval do casamento, e com o dinheiro resgata a bicicleta. Antônio é contratado, e no dia seguinte começa a trabalhar. Mas o inesperado acontece já no primeiro dia de trabalho. Sua bicicleta é roubada.</p>
<blockquote>
<h2>Roubar a bicicleta significa para Antônio roubar-lhe o emprego.</h2>
</blockquote>
<p>Cabe aqui ressaltar a cena do casal, Antônio e Maria (nomes comuns em sua representação social), no guichê da penhora, quando recebem o dinheiro dos lençóis. A felicidade que se lhes estampa no rosto é o sinal de recomeço, sinal de que os efeitos destrutivos da guerra finalmente ficariam para trás. Na sequência da cena, a câmera registra o empregado da casa de penhor subindo na imensa estante abarrotada de lençóis. É a imagem acabada do descalabro financeiro que pesa sobre as famílias. São obrigadas, em troca de alimento, a penhorar seus bens e suas memórias.</p>
<p>Uma das obras primas do neorrealismo italiano, <em>Ladrões de Bicicleta</em> foi produzido a baixo custo, bancado pelo próprio roteirista e diretor Vittorio de Sica. Ele utiliza atores não profissionais, e a maioria das tomadas são externas, aproveitando a paisagem urbana de periferia, portanto, longe do glamour turístico da suntuosa arquitetura romana. E o roteiro é tão simples quanto a história do dia a dia de alguém agoniado à procura da sua bicicleta roubada. Roubar a bicicleta significa para Antônio roubar-lhe o emprego. Portanto, o fim.</p>
<p>O filme acabou não empolgando os espectadores quando do seu lançamento, em 24 de novembro de 1948. Quase um fracasso de bilheteria. Entende-se. O filme retratava a realidade atual. E as pessoas provável não estavam interessadas em ver na tela o que sofriam na vida real. No entanto, o filme viria a registrar seu nome na história do cinema com a premiação do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1950. Este fato daria impulso à bem-sucedida carreira do filme, festejado por gerações que ainda hoje se comovem com a simplicidade e a humanidade daquele homem na busca desesperada por sua bicicleta.</p>
<p>Mas como encontrar a bicicleta na feira de desmanche, em meio a um vendaval de peças iguais? A cena do filho Bruno (Enzo Staiola) procurando em meio a dezenas de buzinas sobre a bancada a que poderia ser a buzina da bicicleta do pai traduz essa impossibilidade. Não há mais a bicicleta modelo Fides 1935. Ela se perdeu em meio às quinquilharias. Nesse momento, a roda da desesperança dá mais um giro, apertando os corações e aumentando a voltagem do desespero.</p>
<blockquote>
<h2>Em <em>Ladrões de Bicicleta</em>, destrói-se não só a esperança. Vão embora também todos os pilares morais que sustentaram até então a vida decente de Antônio.</h2>
</blockquote>
<p>Podemos facilmente transportar esta contundente história para outras épocas e para outras manifestações artísticas sobre o tema. Toda história que se quer contada sobre um contexto social tem que ser individualizada. Alguém terá que representar a desgraça. Precisamos conhecer a angústia de um que espelhe a angústia coletiva. Dentro da literatura brasileira, talvez caiba mencionar o fabuloso romance modernista do gaúcho Dyonélio Machado, <em>Os Ratos </em>(1935). A personagem Naziazeno passa desesperadas vinte e quatro horas na tentativa de arranjar dinheiro para saldar sua dívida com o leiteiro, sob pena de este cortar-lhe o suprimento diário de leite.</p>
<p>E se quisermos nos aproximar da realidade atual, basta nos debruçarmos sobre os entregadores de aplicativos, com suas bicicletas e suas velhas motocicletas rasgando as ruas das grandes cidades para levar as encomendas até seus destinatários. Quem não utilizou este serviço? Quem por acaso não viu pelas ruas uma destas motocicletas estirada ao chão, anunciando o triste destino do trabalhador avulso? Não cabe aqui nos atermos às vicissitudes que atingem estes milhares de Antônios batalhando pelo ganha-pão de cada dia. Mas com certeza eles refletem o total desamparo socioeconômico a que são submetidos.</p>
<blockquote>
<h2>O homem desprovido do seu destino.</h2>
</blockquote>
<p>Para agravar a situação da personagem Antônio, e dar-lhe um significado de existencial humilhação, o roteiro coloca a figura do filho acompanhando o pai na sua insana via crucis. Vamos presenciar cenas delicadas de afeto, de companheirismo, mas também de raiva, até chegar à cena final, quando o filho é colocado diante da dura realidade de ter que ver o pai sendo linchado moralmente em praça pública. É o desfecho inevitável da narrativa. Coube a Antônio, em domingo chuvoso, percorrer em vão as ruas de uma Roma abatida pela guerra, por isso incapaz de acolher os seus filhos. Como tantos outros, Antônio será apenas um objeto estranho rolando pelas ruas, na velocidade de uma bolinha de fliperama. O homem desprovido do seu destino.</p>
<p>Em suma. Destrói-se não só a esperança. Vão embora todos os pilares morais que sustentaram até então a vida decente de Antônio. Quando a barriga ronca, a moral naufraga, deixando à tona apenas os seus destroços. E antes que se afogue de vez, ainda ecoa na tela o grito de Antônio. Maldito dia que eu nasci!</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<h3>Conheça <a href="https://escritorgerin.com.br/publicacoes/">O Voo da Pipa</a>, uma obra de Roberto Gerin.</h3>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Noites De Cabíria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roberto Gerin]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2020 20:08:53 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<h1>RECOMEÇAR É PRECISO, SEMPRE!</h1>
<p>NOITES DE CABÍRIA (118’), direção de Federico Fellini, Itália/França (1957), é um filme que nos faz oscilar entre a esperança e a desesperança. Se pensarmos que a vida não precisava ser tão complicada, nem precisava ser feita de tantos altos (esperança) e baixos (desesperança), e se pensarmos também que, decepção após decepção, vamos sempre ter que reunir forças para recomeçar, então estamos falando exatamente de <em>Noites de Cabíria</em>. O filme é ambientado numa Itália destroçada, recém-saída da Segunda Guerra Mundial, portanto devastada pelo desemprego e pela miséria. Para a órfã Cabíria, prostituída por necessidade, encontrar o amor da sua vida é o único caminho para sair da situação desfavorável em que se encontra. Não há outro jeito. Noite após noite, esta é a sua busca. Encontrar quem a ame de verdade. E assim fazendo, ela se expõe a um mundo que lhe é desconhecido, imprevisível e nada honesto, e que a levará necessariamente ao encontro de mais uma desilusão. Assim são as noites de Cabíria. Uma mistura de sonho e realidade.</p>
<blockquote>
<h2>Quando Cabíria sorri, é porque a vida está sendo desenhada com os olhos da simplicidade.</h2>
</blockquote>
<p>Cabíria é esta personagem desconfiada, mas que acaba confiando. É arredia, mas logo em seguida, ingênua, se aproxima. Cabíria é tão complexa e ao mesmo tempo tão óbvia, que precisaríamos de muitas palavras para explicar por que o ser humano, após acumular tantos desenganos, ainda consegue sorrir. Quando Cabíria sorri, é porque a vida está sendo desenhada com os olhos da simplicidade. É assim que ela precisa enxergar o mundo a seu redor, para simplesmente poder sobreviver.</p>
<p>Mas há algo mais. Acreditar que o próximo passo vai nos levar aonde queremos ir é a essência misteriosa do nosso viver. A vida não se sustenta só pelo corpo. Temos que alimentar nossa alma. Para isso, temos que ter a clara percepção de que acreditar, sempre, está na razão direta da nossa luta pela sobrevivência. A vida se faz numa sequência de gestos e movimentos. É o que nos empurra em direção aos sonhos. Até a próxima queda, quando então o sonho se desfaz em desilusão. Eis aí Cabíria!</p>
<blockquote>
<h2>Giulietta Masina, além de sua inegável estatura de grande atriz, teve a seu favor o seu tipo físico.</h2>
</blockquote>
<p>Cabíria é uma prostituta das noites que parecem não ter fim. Ela podia ser uma dona de casa. Podia ser uma secretária de dentista. Podia ser a dentista. Do que ela se ocupa, no entanto, não interessa. O que se discute é como um ser humano, cravejado de sonhos e desilusões, ainda consegue se envolver com o próximo sonho como forma de curar a desilusão anterior. Tanto é claro este giro implacável da vida, que o filme começa com uma pequena desilusão de 40.000 liras e, depois de várias tentativas, termina com uma desilusão de 400.000 liras! Eis a voltagem da vida.</p>
<p>A estrutura narrativa do filme é episódica — uma sequência de episódios que vão compondo o perfil fragmentado da personagem. O mosaico vai nos fazer enxergar o todo. Cabíria vai aparecendo aos poucos, situação após situação, permitindo que a estupenda Giulietta Masina nos brinde com uma das mais raras e felizes construções de personagem de que o cinema tem notícia. Levados pelo entusiasmo, houve quem comparasse Cabíria a O Vagabundo, de Chaplin. Particularmente nos omitimos em fazer tal comparação, deixando que o espectador, ele mesmo, avalie se há de fato pontos de encontro entre estas duas icônicas personagens.</p>
<blockquote>
<h2><em>Não podemos nos esquecer de que quem mantém nossa alma viva é a esperança</em>.</h2>
</blockquote>
<p>Vale ressaltar o processo de criação da personagem Cabíria a partir da fisicalidade. Giulietta Masina, além de sua inegável estatura de grande atriz, teve a seu favor o seu tipo físico. Estatura baixa, mas não franzina, Giulietta construiu sua personagem baseada na postura da moleca enfezada. Esta é a imagem que nos vem à mente. A passada um pouquinho mais larga que suas pernas permitem dar, os ombros arqueados, o queixo avançado e o olhar duro. E o rosto preparado para sorrir. A descrição pode não ser a exata, mas o espectador logo vai perceber que existe uma mulher sempre pronta para a luta. Mas é uma luta consigo mesma, porque ela sabe que não pode cair na próxima armadilha. E aí está o problema. Ela não vai resistir a dar o próximo passo. Em uma sociedade demolida, econômica e moralmente, o passo seguinte, infelizmente, será mais uma vez na direção do desconhecido.</p>
<p>E aí teremos o próximo lance de Cabíria. É a derradeira aposta (do filme). A casa de Show de Mágicos, em uma cena imperdível, em que Cabíria se mostra por inteiro. Expõe seu sonho de mulher. Encontrar seu príncipe. Evidente, a plateia ri. Debocha. Menos um. O próximo príncipe.</p>
<blockquote>
<h2>É isso que Cabíria também busca em suas noites de Cabíria.</h2>
</blockquote>
<p>Em suma. Não podemos nos esquecer de que quem mantém nossa alma viva é a esperança. O que seria de nós se não acreditássemos que a vida, em algum momento, irá nos presentear com boas doses de felicidade? Com a paz emocional e sentimental? O amor? Dinheiro? Não é isso que buscamos? Pois é! É isso que Cabíria também busca em suas noites de Cabíria.  E nos pegamos torcendo para que nossa pequena heroína encontre o que procura. Somos assim, espectadores que acreditam no final feliz. Só não nos esqueçamos de que Cabíria está colada ao mundo real, do qual Fellini, em nenhum momento, teve a intenção de tirá-la. Se a personagem pertence ao mundo real, se dele faz parte e nele transita, então Cabíria precisará confirmar seu destino. Infelizmente, ser humano que é, o recomeço é a sua sina. E Cabíria vai recomeçar. É o que nos diz o seu último olhar, na última cena. Olhar de dor e poesia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<h3>Conheça <a href="https://escritorgerin.com.br/publicacoes/">O Voo da Pipa</a>, uma obra de Roberto Gerin.</h3>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Parente É Serpente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roberto Gerin]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2020 16:39:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>NATAL EM FAMÍLIA, CONFLITOS RENOVADOS Pergunta-se: o que nos vem à mente ao ler o título do filme PARENTE É SERPENTE, (100’), direção de Mário Monicelli, Itália (1992)? (Silêncio). Podem imaginar, porque é exatamente isto que estão pensando! Tudo começa bem. Abraços e risos, recordações, piadinhas e esquisitices de infância, defeitos e algumas qualidades, enfim, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h1>NATAL EM FAMÍLIA, CONFLITOS RENOVADOS</h1>
<p>Pergunta-se: o que nos vem à mente ao ler o título do filme PARENTE É SERPENTE, (100’), direção de Mário Monicelli, Itália (1992)? (Silêncio). Podem imaginar, porque é exatamente isto que estão pensando! Tudo começa bem. Abraços e risos, recordações, piadinhas e esquisitices de infância, defeitos e algumas qualidades, enfim, saudades, fotografias e a ceia de Natal. Reencontro anual na casa dos pais, felicidade completa. O peru assado é tão grande que dá pra todo mundo comer. E olha que não é pouca gente. Avô e avó, nas respectivas cabeceiras da enorme mesa (estamos falando de família italiana), os irmãos e as irmãs, netos e netas, tios e primos, e os chamados agregados, os cunhados chatos e as cunhadas enxeridas, genros e noras. Família completa, pois. Todos felizes. Felizes… será? Aí é que mora o perigo. Felicidade e harmonia duram pouco, principalmente num filme italiano, sobre família italiana. Eis a comédia!</p>
<p>A família é tão grande que, permita-nos, vamos nos abster de elencar as personagens e respectivos atores, aliás, ótimos.</p>
<p>Deixem-nos fazer mais uma pergunta. Pra que serve o Natal? Ora, para reencontrar os familiares e agregados (parentes) e colocarem em dia a conversa e, principalmente, as fofocas. E também para dar e ganhar presentes. E comer leitoa assada… Nada disso. Não? Não. O Natal em família serve para renovar os conflitos. Reabastecer as emoções. Principalmente as negativas. Desenterrar as velhas mágoas. Por isso, o conselho. Nunca fiquem mais do que três dias em uma festa de natal em família. Acima disso, é correr riscos. E é o que acontece nesta saborosa comédia. Os parentes ficaram tempo demais, até o ano novo. E deu no que deu.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="padding-left: 80px;"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" class="" src="https://i0.wp.com/istoe.com.br/wp-content/uploads/sites/14/2020/04/40-4.jpg?resize=595%2C334&#038;ssl=1" alt="Parente é serpente - ISTOÉ Independente" width="595" height="334" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Parente é Serpente</em> é uma comédia que mostra com muito humor, muito ritmo, com diálogos precisos e personagens bem definidos o reencontro de irmãos que foram passar o Natal na casa dos pais. Tudo caminhava bem, tirando, lógico, as farpas, as descaracterizações, as lembranças maldosas, as piadinhas machistas para lá de picantes (descobrem-se até traições entre cunhados!), mas isto tudo faz parte de uma relação familiar saudável, portanto, nada de novo no <em>front</em>. A coisa começa a pegar fogo quando a matriarca comunica aos filhos e filhas que ela e o patriarca, sofrendo este já de escleroses variadas, e ambos entrados nos oitenta, iriam morar com um deles. E que a escolha com que filho morar caberia aos próprios filhos decidirem. Caro espectador, aqui a película do filme se parte ao meio. O que já era sombra vira uma tenebrosa nuvem negra.</p>
<p>Todos cometeram o mesmo erro. Ficaram juntos dias demais e deixaram-se aprisionar pela ilusão dos inquebrantáveis laços familiares. Estamos diante de uma das coisas mais comuns na história das famílias, sejam quais forem suas condições socioeconômicas. Estamos falando do envelhecimento. E com o envelhecimento, a doença. Os filhos gostam muito de serem cuidados e amados, mas não de cuidar e amar. E aí?</p>
<p>A comédia serve para isso. Para que olhemos de banda o que tinha que ser olhado de frente. Pelo menos no título o filme disse a que veio. Cada fio de macarrão que a família italiana “mangia” (come) é uma serpente que engolem. Pois, o título do filme não usou de meias palavras nem ficou de banda. A sorte é que tudo vira comédia, e na comédia desgraça não é levada a sério. Feliz Natal!</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<h3>Conheça <a href="https://escritorgerin.com.br/publicacoes/">O Voo da Pipa</a>, uma obra de Roberto Gerin.</h3>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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