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	<title>Arquivos filme romântico - Roberto Gerin</title>
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	<title>Arquivos filme romântico - Roberto Gerin</title>
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		<title>Entre Dois Amores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roberto Gerin]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jul 2021 11:42:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>ENTRE DOIS FUJÕES É muito comum querermos insistir em sonhos que se confundem com necessidades. E não interessa de onde vem a ideia fixa de se cumprir um destino. Parece que só nos completaremos se chegarmos lá aonde intimamente nos propusemos chegar. Portanto, é comum alguém querer, a todo custo, a maternidade, a paternidade, uma [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2>ENTRE DOIS FUJÕES</h2>
<p>É muito comum querermos insistir em sonhos que se confundem com necessidades. E não interessa de onde vem a ideia fixa de se cumprir um destino. Parece que só nos completaremos se chegarmos lá aonde intimamente nos propusemos chegar. Portanto, é comum alguém querer, a todo custo, a maternidade, a paternidade, uma viagem para determinado lugar, morar naquele bairro, conseguir aquele emprego, aquela profissão — ou simplesmente se casar. O sonho de que alguém chegue até você e lhe abra o coração com uma simples pergunta. Quer se casar comigo? Isto é sonho ou é uma condição de vida (normal) que se impõe? Querer se casar com alguém e que esse alguém queira se casar com ela, este foi o sonho de vida da protagonista Karen. E Karen é uma dinamarquesa que vai até a África na esperançosa certeza de se tornar uma mulher para um homem que queira lhe oferecer uma aliança e, de quebra, uma saudável vida de casada. Parece simplista essa proposta tão humana, mesmo que amparada por convenções. Mas é dessa busca de Karen, inspirada no romance autobiográfico <em>Den Afrikanske Farm</em>, de Isak Dinesen, publicado em Londres em 1937, que nasce o glamouroso filme ENTRE DOIS AMORES, de Sidney Pollak, drama romântico estadunidense, rodado em 1985. Na tela, o par romântico nas atuações de Meryl Streep e Robert Redford. Para quem procura por momentos de sonhos românticos, não tem filme melhor. Mas fica o aviso. É um amor que paira no ar, sem, contudo, conseguir pousar.</p>
<p>A rica dinamarquesa Karen não entra na relação amorosa pela porta da frente. Ou como se queira, pela porta de uma igreja. Transforma-se em amante de um barão e por este é traída. A traição abala sua autoestima. Vê cada vez mais distante a possibilidade de contrair um casamento normal. Procura no irmão do amante, até então um amigo assíduo, a forma de entrar honrosamente no matrimônio abençoado. Ele, um <em>bon vivant</em>, com título mas sem dinheiro, topa a proposta. Uma boa quantia por um casamento sonhado. Por ela.</p>
<blockquote>
<h2>Denys, introduzindo-o, é a outra ponta do conflito amoroso.</h2>
</blockquote>
<p>Vão se casar na África, numa pequena cidade do Quênia, onde adquirem (paga por ela) uma fazenda, ao sopé das montanhas Ngong. O barão Bror, que fora na frente para resolver as questões de investimentos, já a decepciona no primeiro dia. Se o combinado era criar gado, o marido resolve plantar café, quando todos sabem que a região é imprópria para esse tipo de cultivo. Está dada a partida para uma relação insatisfatória, frustrante, que traria para Karen uma coleção de desilusões. O casamento (dela) termina, lógico. Diante de um rosário de traições (dele).</p>
<p>Mas essa história vai sendo contada aos poucos, em doses quase homeopáticas, entremeadas pela vigorosa cultura africana dos nativos que trabalham na fazenda, pela demorada floração do café, e embelezada pelas lindíssimas paisagens, com relevância para as tomadas aéreas a partir do sobrevoo do pequeno avião de Denys. Denys, introduzindo-o, é a outra ponta do conflito amoroso. Não é um barão, como Bror. É o verdadeiro príncipe! Ora encantado, ora desencantado.</p>
<blockquote>
<h2>Mas Karen não desiste.</h2>
</blockquote>
<p>Denys é o romântico que preza a liberdade, portanto, preza a si mesmo. Doa-se a uma mulher, porém não muito, pois será preciso, em algum momento, se despedir. Há um mundo de aventuras infinitas lá fora, à sua espera. Lá onde o coração amante sente saudades, mas se demora em retornar para os braços da amada. Configura-se aqui a estrutura masculina das relações trazidas pelo filme. Tanto o barão quanto o forasteiro veem na despedida o portão dourado para a liberdade. E lá, ao longe, o vulto solitário cada vez menor da abandonada Karen. Ama na solidão da espera, ama no desespero da despedida. Talvez o título pudesse ser outro. Entre Dois Fujões.</p>
<p>Mas Karen não desiste.</p>
<p>A vida da baronesa é povoada de incertezas, em meio a um mundo que lhe é hostil, falsamente acolhedor. No entanto, valendo-se de seu esforço de mulher desbravadora, e mais do que isso, movida pela necessidade de se fazer amada, ela busca, em perigosas aventuras, uma oportunidade de se afastar da solidão e, de quebra, arquitetar mais uma tentativa para conquistar definitivamente a pessoa amada. Tudo em vão. Pois tudo será destruído lentamente, numa visão esfumaçada de interesses que não se revelam, afinal, a África é um espaço imensamente aberto, onde os dominadores desenraizados não encontram abrigo senão em suas próprias e mesquinhas intenções.</p>
<blockquote>
<h2>Em <em>Entre Dois Amores</em>, fica a sensação de que Karen foi procurar o casamento no lugar errado.</h2>
</blockquote>
<p>Ademais, não se pode exigir muito do homem largado no fim do mundo em nome de uma colonização que deve se perpetuar na oferta de sacrifícios em troca de pequenos confortos e falsos privilégios. Karen não percebeu que, tirante os burocratas encasacados abraçando frouxamente suas mulheres, os homens sem ligação com a burocracia, para aceitar se enfiar nas savanas africanas, sujeitos a doenças e a ataques de animais ferozes, precisam antes de tudo de um inabalável espírito aventureiro. Karen não percebeu esse contraste incompleto entre amor e aventuras. Continuou, em vão, a implorar por um casamento normal.</p>
<p>Em suma. Denys é o símbolo deliciosamente romântico desta liberdade sem fim. Em um dia aprende a pilotar um avião, e passa a singrar os céus com sua pequena aeronave amarela, como o símbolo da irreverência diante de um mundo enquadrado nos conceitos colonialistas do domínio do forte sobre o fraco, do “civilizado” sobre o “selvagem”. Denys não faz parte desta torpe estirpe de homens que exploram seu semelhante em benefício de uma política expansionista inconsequente. E que sempre estará à espera do reconhecimento da rainha e das condecorações que cintilam no reflexo do copo de uísque. Denys é um homem glamouroso, desejável, mas, infelizmente, inalcançável em seus voos solitários. Bem que Karen tentou. Mas, mais uma vez em sua vida, perde a batalha para a poderosa atração chamada liberdade sem responsabilidade afetiva. Fica a sensação de que Karen foi procurar o casamento no lugar errado. Para estrangeiros, a África não é um lugar para se casar. É um lugar para se amar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<h3>Conheça <a href="https://escritorgerin.com.br/publicacoes/">O Voo da Pipa</a>, uma obra de Roberto Gerin.</h3>
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		<title>As Pontes De Madison</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roberto Gerin]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2020 20:24:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>SOMOS AS ESCOLHAS QUE FAZEMOS Em AS PONTES DE MADISON (135’), direção de Clint Eastwood, EUA (1995), vamos nos deparar com uma questão básica que nos aflige toda vez que iniciamos uma relação de afeto com alguém. Estamos mesmo fazendo a escolha certa? Será que ele/ela me ama? O pior é quando se trata de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h1>SOMOS AS ESCOLHAS QUE FAZEMOS</h1>
<p>Em AS PONTES DE MADISON (135’), direção de Clint Eastwood, EUA (1995), vamos nos deparar com uma questão básica que nos aflige toda vez que iniciamos uma relação de afeto com alguém. Estamos mesmo fazendo a escolha certa? Será que ele/ela me ama? O pior é quando se trata de deixar o antigo amor para assumir um novo. Aí a dúvida nos consome de vez. Esta é a problemática que <em>As Pontes de Madison</em> nos coloca. Aliás, escancara — o risco da troca.</p>
<p>Fica-nos a impressão de que o amor que nos é oferecido por alguém que acabamos de conhecer sempre vai parecer instável, por mais que recebamos dele sucessivas provas desse amor. E nem se trata de saber se a pessoa nos ama. A questão é: até onde este amor resistirá? Na alegria, com certeza. Mas, e na tristeza?</p>
<blockquote>
<h2><em>As Pontes de Madison</em> é uma história de amor que não se conclui.</h2>
</blockquote>
<p>O filme não resolve as questões colocadas acima. O filme <em>As Pontes de Madison </em>apenas tenta nos arrastar para a realidade. E, para tanto, traz outra questão. O encontro entre os dois amantes, Francesca e Robert, é rápido, portanto não é suficiente para servir de laboratório para o amor. E aqui falamos daquele amor que temos que renovar todos os dias, incansavelmente, anos a fio.</p>
<p>Paradoxalmente, o que vamos ver na tela é um amor inesquecível, mas vivido em apenas quatro dias, portanto passageiro. Opa! Se é inesquecível, não pode ser passageiro! Ademais, o amor entre Francesca e Robert sobreviveu até eles morrerem! Por mais de vinte anos! Mesmo que nunca mais tenham se visto! Este nos parece ser o sabor peculiar de <em>As Pontes de Madison</em>. E sua contradição. Para ser inesquecível, o amor, na falta da vivência do cotidiano, teve que acontecer na esfera da fantasia. Nessa perspectiva, podemos dizer que <em>As Pontes de Madison</em> é uma história de amor que não se concluiu. O amor simplesmente ficou ali, à espera dos amantes. Até que a morte os separasse.</p>
<blockquote>
<h2>Ao se casar, Francesca foi violentamente sugada pelo sistema matrimonial.</h2>
</blockquote>
<p>Robert Kincaid é um fotógrafo da National Geographic que vai para o interior dos Estados Unidos, Iwoa, com a missão de fotografar as pontes cobertas de Madison. Perdido, acaba chegando à fazenda dos Johnsons. E ele chega bem no dia em que o marido e os dois filhos tinham viajado, por quatro dias, para participar de uma feira de gado. O charmoso forasteiro (Clint Eastwood) estaciona o carro apenas para pedir a Francesca (Meryl Streep) informações sobre o paradeiro de uma determinada ponte. Naquela época, 1967, não existia <em>Google Maps</em>. Dar informações sobre estradas e encruzilhadas era um tanto complicado. Francesca resolveu o dilema de forma diferente. Calçou os sapatos e foi com Clint Eastwood, quer dizer, Robert Kincaid, procurar a tal ponte.</p>
<blockquote>
<h2><em>“Os velhos sonhos eram bons sonhos, não</em><em> se realizaram, mas foi bom tê-los.”</em></h2>
</blockquote>
<p>Caímos no erro de muitas vezes acharmos que uma relação está se esgotando em função de os comportamentos do outro serem inadequados ou insuficientes. Isto é, o outro é responsabilizado pela nossa infelicidade e nossas insatisfações. Se atentarmos para o jogo de equilíbrio entre as forças dramáticas de <em>As Pontes de Madison</em>, vamos perceber que o marido de Francesca é um sujeito normal, pregado naquela fazenda herdada de sua família que sempre esteve ali, há mais de cem anos. Ele se mostra amoroso, dedicado, acredita que sua função patriarcal é prover a família, e isto ele faz muito bem. Se quiserem, podem conferir o relatório. Bebe? Não. Fuma? Não. Bate na mulher? Não. Deixa-a passar fome? Não. Então, o que falta? Eis o desafio. Como traduzir a infelicidade de Francesca? Aliás, de onde vem esta infelicidade?</p>
<blockquote>
<h2>O filme <em>As Pontes de Madison</em> quer falar de amor, não de casamento.</h2>
</blockquote>
<p>Ao se casar, Francesca perdeu o sentido de liberdade. Foi violentamente sugada pelo sistema matrimonial. Tirada de Bari, Itália, no auge dos seus sonhos, enfiou-se no interior americano, numa tal cidade de Madison. Fica claro o espanto dela quando Robert Kincaid, logo nos primeiros minutos em que se conheceram, sabendo que Francesca nascera em Bari, relata sua passagem por aquela cidade. Da janela do trem achou a cidade linda. Então, resolveu descer e por lá ficou vários dias. Francesca então pergunta. Você saltou do trem só por que achou a cidade bonita? Sim, responde Robert. É exatamente este o sentido de liberdade que Francesca carrega dentro de si, sem, no entanto, exercê-la.</p>
<p>Neste cenário, vamos ver que, com a chegada de Robert à fazenda, interrompe-se, para Francesca, a dura realidade. Francesca é uma mulher presa às cruéis rotinas de esposa e mãe, mulher que um dia teve sonhos que precisou engavetar. E na presença do forasteiro, parece que ela os tira momentaneamente da gaveta. Robert tenta consolá-la. Diz. <em>“Os velhos sonhos eram bons sonhos, não</em><em> se realizaram, mas foi bom tê-los.”.</em> Caro Robert Kincaid, sonho não é só para ser sonhado. Tem que ser realizado. E quando é realizado, já não é mais sonho, é a realidade desejada! Entendeu?</p>
<blockquote>
<h2>O que interessa a Meryl Streep é como a personagem se comporta como mulher.</h2>
</blockquote>
<p>A partir do momento que Francesca fosse embora com o forasteiro, terminariam os sonhos dos quatro dias e começaria uma nova realidade. Francesca logo percebera que tudo poderia ser apenas uma troca. De realidades. Valeria a pena?</p>
<p>O filme <em>As Pontes de Madison</em> também não responde à pergunta acima. Mesmo que ela esteja diante de um homem sensível, que declama poesias, vê cores ao amanhecer, vê cores ao entardecer, homem divertido, espirituoso, cozinha e lava, adora blues&#8230; O que uma mulher casada, acorrentada às mediocridades sociais, vai fazer com um homem desses? Com certeza, terá que enfiá-lo dentro de uma realidade provavelmente tão dura quanto a atual. E dentro da dura realidade, ver cores ao amanhecer e ver cores ao entardecer não se encaixa no paradigma dos pequenos sofrimentos cotidianos. E mais. O que fazer com a realidade anterior? Afinal, terá que abandonar marido e filhos. Pobre Francesca!</p>
<blockquote>
<h2>Em <em>As Pontes de Madison</em>, o homem não nos apresenta, de forma convincente, o seu masculino.</h2>
</blockquote>
<p>Agora, antes de finalizar, vamos falar de Meryl Streep.</p>
<p>Mais do que apenas representar uma personagem, o mais importante é dar um sentido plenamente humano ao que se quer representar. Esse é o desafio dos grandes atores e das grandes atrizes. E Meryl Streep parece não fazer o menor esforço para tornar Francesca tão viva diante de nós. E não importa o destino traçado para Francesca. O que importa é sentir suas reações diante de fatos inesperados que a obrigaram a se movimentar internamente. E são estes movimentos que Meryl Streep nos oferece com sutil intensidade. O que interessa à atriz é como a personagem se comporta como mulher. É aqui que Meryl Streep nos dá uma aula de feminino.</p>
<p>Infelizmente, por outro lado, Clint Eastwood, o homem, fica a meio caminho. Não nos apresenta com clareza o masculino. Não nos convence. Fica-nos parecendo que o que ele tem a oferecer é apenas a casca, pintada de elegantes trejeitos. Mas, sem o miolo, o que fazer com a casca? Talvez seja por isso que Francesca — leia-se Meryl Streep — não embarcou na aventura proposta por Robert — leia-se Clint Eastwood. Por segurança, ela preferiu ficar na esfera das fantasias.</p>
<blockquote>
<h2><em>As Pontes de Madison</em> fala do cotidiano pela voz amargurada de Francesca.</h2>
</blockquote>
<p>Em suma. O que nos parece ser um sonho pode, na verdade, ser uma oportunidade. E é das oportunidades que nascem as escolhas. E escolher é correr riscos. E correr riscos é enfiar os dois pés na jaca da realidade. Este é o preço a se pagar. Agora, podemos escolher permanecer no mundo dos sonhos. Mesmo que isto possa nos parecer um ato de covardia. Se lembrarmos que sonhar é nos convidar para iniciar uma nova jornada, podemos então dizer que permanecer no sonho é renunciarmos a dar o passo. E é disso que <em>As Pontes de Madison</em> quer falar pela voz amargurada de Francesca. Robert Kincaid não lhe deixou claro se valia ou não a pena mudar de escolha.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<h3>Conheça <a href="https://escritorgerin.com.br/publicacoes/">O Voo da Pipa</a>, uma obra de Roberto Gerin.</h3>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
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