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	<title>Arquivos Greta Garbo - Roberto Gerin</title>
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	<title>Arquivos Greta Garbo - Roberto Gerin</title>
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		<title>Ninotchka</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roberto Gerin]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Sep 2020 14:37:11 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<h1>UMA COMÉDIA PARA GRETA GARBO</h1>
<p>Ainda em seu início de carreira, quando era apenas uma jovem atriz em Estocolmo, Greta Garbo conseguira atrair os primeiros olhares de admiração justamente por alguns papeis cômicos que vinha desempenhando. Sim, Greta Garbo foi momentaneamente uma comediante. No entanto, ela deixaria para trás sua veia cômica quando chegou a Hollywood, em 1925, revelando-se uma atriz trágica e reservada, cujos silêncios, prolongados, foram transformando-a numa mulher misteriosa e indecifrável, imagem que a acompanharia para o resto de sua vida. Mas Greta voltaria à comédia no final da sua curta carreira de atriz, em NINOTCHKA (111’), direção de Ernst Lubitsch, EUA (1939). Comédia elegante, ágil e nada sutil. Sua personagem, uma camarada russa lacônica e dogmática, vê-se lançada literalmente dentro da comédia assim que desembarca em Paris, por volta do décimo nono minuto de filme. Armada que estava a situação cômica desde seu início, os comportamentos carrancudos de Ninotichka vão gerar um saboroso contraste com as hilárias confusões provocadas por três emissários russos. Eis! Ela fora enviada a Paris justamente para pô-los na linha! E o filme precisou chegar a seu quadragésimo oitavo minuto para que o conde Leon d’Algout, o <em>bon vivant</em> capitalista que por ela se apaixona, conseguisse, enfim, depois de muita insistência, fazer com que Greta/Ninotchka emitisse seu primeiro e tão esperado sorriso. Sorriso não. Uma sonora gargalhada, raramente vista no cinema. E assim, <em>Ninotcka</em>, o filme, se completa como uma das mais deliciosas comédias românticas até então produzido.</p>
<p>Chegam à Paris três representantes da Câmara Russa de Comércio, Ironoff, Buljanoff e Kopalski, interpretados, na sequência, pelos simpaticíssimos Sig Rumann, Felix Bressart e Alexander Granach. Vieram à capitalista Paris com a incumbência de vender catorze famosas joias que haviam sido legalmente confiscadas da Grã-duquesa Swana (Ina Claire), uma das tantas nobres russas que conseguiram escapar aos fuzis da Revolução Russa de 1917. Contrariando as ordens da comunista Moscou, eles esbanjam dinheiro se hospedando na suíte real de um caríssimo hotel parisiense. Prestes a fechar negócio com o joalheiro, os três veem seu plano abortado pela intervenção do advogado, e amante, da Grã-duquesa, o conde Leon D’Algout (Melvyn Douglas). Suspensa a venda, e enquanto aguardam a decisão da justiça francesa, por que não usufruir um pouquinho das delícias do capitalismo? Está armada a comédia.</p>
<p>Os três felizardos russos só não esperavam pela súbita chegada da durona camarada Ninotchka. Subjugados, não tiveram tempo nem coragem de apresentar à implacável bolchevique as doçuras do capitalismo. Sem problemas, haveria quem o fizesse. O próprio, o Leon, o mesmo que já havia se encarregado de perverter os três deslumbrados mosqueteiros.</p>
<p>Leon acaba conhecendo Ninotchka na rua, de uma maneira bem fortuita, e por ela logo se apaixona. Em se tratando de comédia romântica, o amor ali é sincero, portanto, irreversível. Mais alguns minutos e o conde vai descobrir que aquela mulher apaixonante nada mais é que sua inimiga russa no litígio das joias. Ele não só não desiste dela como vai tenazmente apresentar a Ninotchka as benesses capitalistas, onde o amor parece ser apenas um pretexto para se comprar pequenas felicidades. Leon oferece a Ninotchka o que ele sabe oferecer às mulheres. Um fino jantar regado à champanhe.</p>
<p>Mas qual é a estrutura que dá sustentação e fôlego à comédia? O embate ideológico entre capitalismo e comunismo. Entre organizações sociais e econômicas diametralmente opostas, a russa e a ocidental. Estas diferenças são causticamente satirizadas e viram oportunidades para se criarem situações inteligentes de humor, às vezes ferino, com desvantagem, lógico, para o comunismo, afinal, o filme é produzido no epicentro do capitalismo, os Estados Unidos.</p>
<p>Sabemos que estes assuntos de ideologias podem afugentar o espectador. Mas, por favor, não se assuste! Fique e assista ao filme. Diferente do que se pode supor, o inteligentíssimo roteiro, costurado a seis mãos por Billy Wilder, Charles Brackett e Walter Reisch, com seus diálogos para lá de fabulosos, passa ao largo desta discussão. Só querem tirar dos imbróglios ideológicos o riso e a graça! E umas pitadas de crítica, lógico. Portanto, não falemos aqui de política. Ademais, vale lembrar que o ocidente capitalista, naquela altura do ano de 1939, estava muito mais preocupado com a extrema direita nacional-socialista de Hitler do que com os massacres em massa de um Stalin. Depois, finda a guerra, quando a Rússia fura os flancos nazistas a leste e entra em Berlim primeiro que os americanos, aí, sim, <em>Ninotchka</em> poderia ser analisada com outras lentes. Mas, como um pressuposto, alertamos. O filme é tão bem armado e dirigido que ele com certeza terá resistido aos furiosos enfrentamentos da Guerra Fria. O filme tem personalidade própria, ele não precisa dos discursos alheios.</p>
<p>Poderíamos aqui elencar uma sequência de cenas de finíssimo humor, sustentadas por diálogos geniais, uma direção mágica, e com ritmos precisos, construídos por uma edição exemplar, mas preferimos deixar para o espectador o trabalho de estabelecer suas preferências que, alertamos, não serão poucas. Permita-nos comentar uma cena só! A cena de Greta Garbo em sua Ninotchka bêbada. Ah, e outra, logo no início do filme! A câmera posicionada no corredor do hotel, revelando, a cada entrada de bebidas, comidas e mulheres, os urros de contentamento infantilizado dos três camaradas russos.</p>
<p>É momento agora de falarmos um pouco de Greta.</p>
<p>O maravilhoso repertório de movimentos corporais e modulações de voz foram os grandes recursos pessoais de que dispôs Greta Garbo para alcançar seus resultados artísticos. Ela simplesmente, com naturalidade e técnica, sabia o que fazer com seu corpo incomum e com sua voz de timbre original. Voz e corpo estavam sempre prontos para desenhar a próxima emoção. Vale destacar o uso expressivo das mãos, o arqueamento do dorso, ou simplesmente o inclinar de cabeça para trás, quase sempre de fundo trágico, ou romântico. Muitos podem alegar que ela veio do cinema silencioso, onde o corpo era a ferramenta do discurso dramático e cômico. Portanto, ela estava devidamente treinada. Pode ter ajudado, mas não acreditamos que tenha sido decisivo. Tanto é verdade que ela transitou do silencioso para o sonoro sem grandes percalços. Aliás, no primeiro sonoro, em 1930, ela já foi indicada à estatueta de melhor atriz.</p>
<p>Há mais o que dizer dos movimentos de corpo e voz em Greta. A destruição proposital do equilíbrio corporal para tirar o efeito desejado, de fragilidade, dúvida ou afeto, as mãos trançadas às costas, ou deslizando pelos quadris, ou cruzadas, ou no bolso, a face neutra, sem a presença de trabalho muscular, o uso preciso da voz, seus ritmos e tonicidades, seca, abrupta, grave, lânguida ou demorada, o espectador pode reparar na ondulação arrítmica das sobrancelhas, os movimentos dos lábios, a sobriedade e a preocupação por trás da boca harmoniosamente fechada, mas não tensa, quantas descrições podemos traçar aqui para mostrar o colorido infinito de matizes corporais que fizeram de Garbo uma atriz sem limites artísticos.</p>
<p>Enfim, para apreciar, na sua totalidade, a beleza artística de Greta, faz-se necessário passar pela sua filmografia com calma e, muita das vezes, revisitando o mesmo filme. Só assim o espectador terá a oportunidade de mergulhar na arte de representar desta que foi um dos ícones da sétima arte, numa época em que o cinema, querendo entrar na sua maturidade, ainda dispunha de poucos recursos técnicos. No entanto, a falta destes recursos, tão à disposição do cinema de hoje, não fez falta a Greta. Mesmo assim, podemos fazer um exercício de imaginação, colocando-a diante das câmeras de um Ingmar Bergman, com seus closes reveladores e precisos. Que segredos então Bergman não tiraria de Greta! Mas, enfim, não podemos lamentar as lacunas históricas. E nem precisamos, quando pensamos em Greta. Ela nos legou uma arte ainda mais poderosa, empurrou o cinema para um patamar acima, e foi isto que Greta soube fazer. Tirar de cada filme o máximo de sua genialidade.</p>
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<h3>Conheça <a href="https://escritorgerin.com.br/publicacoes/">O Voo da Pipa</a>, uma obra de Roberto Gerin.</h3>
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		<title>Rainha Cristina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roberto Gerin]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Sep 2020 14:46:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A EXUBERÂNCIA DA RAINHA GRETA Quando se trata de assistir a um filme baseado em fatos históricos, temos, em primeiro lugar, que ficar atentos à veracidade desses fatos. Nem sempre se projeta nas telas o que aconteceu. Então, um alerta. Um filme não é um livro de história. A ficção exige seus voos de cruzeiro. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h1>A EXUBERÂNCIA DA RAINHA GRETA</h1>
<p>Quando se trata de assistir a um filme baseado em fatos históricos, temos, em primeiro lugar, que ficar atentos à veracidade desses fatos. Nem sempre se projeta nas telas o que aconteceu. Então, um alerta. Um filme não é um livro de história. A ficção exige seus voos de cruzeiro. Ela precisa se distanciar da realidade para construir sua narrativa, seus ritmos, suas tensões e seus clímax. O espectador tem que ter a percepção de que ele está assistindo a uma fábula, não a um documentário. Portanto, sugerimos. Nada de comparações. Nada de apontar o dedo. Ah, não foi assim que aconteceu! Neste diapasão, afirmamos que o belo RAINHA CRISTINA (99’), direção de Rouben Mamoulian, EUA (1933), não é diferente. É mais um daqueles filmes que se aproveitam da História para se tornarem um grande filme. Baseado na misteriosa e controversa Rainha da Suécia, que reinou entre 1632 e 1654, em pleno apogeu da guerra dos Trinta Anos, <em>Rainha Cristina </em>está mais preocupado com os dilemas pessoais da soberana do que com os conchavos palacianos. Estes existem, sempre, mas não definem quem de fato foi esta mulher de personalidade poderosa. Cristina foi a rainha que subverteu certos protocolos. Posicionou-se contra o espírito belicoso sueco, contra o uso do povo para fins políticos, ela amava a paz, o conhecimento e a cultura, e desprezava a ignorância. Rainha que após sua abdicação, vagou por trinta e cinco anos por uma Europa que a admirava, que colecionou obras de arte, criou teatros, estabeleceu uma relação íntima com o Vaticano, a ponto de ser uma das três únicas mulheres a estarem enterradas em seus subsolos. Que mulher foi esta, caro espectador?! Só outra mulher, tão sueca quanto, tão misteriosa e tão poderosa quanto poderia encarná-la nas telas. Sim. Greta Garbo.</p>
<p>Cristina tinha apenas seis anos de idade quando foi, após a morte do pai, Gustavo II, coroada rainha da Suécia. Herdeira única, educada desde bebê para ocupar o trono, o fez com total desenvoltura e competência. Foi amada e admirada por seus súditos. No entanto, já na fase adulta, preferiu a mulher à rainha, o ser humano ao símbolo, as artes e o conhecimento à espada. Suas opções e opiniões pessoais começaram a entrar em embates com seu papel de rainha. Preocupada que estava com o domínio bélico sobre a Europa, a nobreza sueca não teve tempo de olhar para onde a rainha queria de fato conduzi-los. Desde muito cedo se viu envolvida com as questões da Corte, por quem sacrificou sua infância, adolescência e boa parte da juventude, o que torna compreensível seu desejo de abdicar ao trono e se dedicar àquilo de que realmente gostava. Apesar das objeções da nobreza sueca, assim o fez, em 1654, quando tinha apenas vinte e oito anos de idade.</p>
<p>Os assuntos de casamento, sexualidade e romances são tratados no filme de uma forma muito criativa e saborosa. Uma das obsessões de qualquer dinastia é deixar sucessor, portanto, gerar rebentos. Em se tratando de rainhas, a cobrança é ainda maior. Em muitos momentos, os súditos esquecem da rainha e miram na mãe. Com Cristina não foi diferente. Ela conviveu com esta pressão durante todo o seu reinado. Instada a se casar com seu primo, o príncipe e herói nacional Carlos Gustavo (Reginald Owen), ela não perdia a oportunidade de declarar sua objeção ao casamento. Tanto suas posições no assunto eram verdadeiras que nunca se casou e nunca teve filhos. Portanto, não deixou herdeiros. E havia ainda uma razão urgente na pressão pelo casamento da rainha. Sem casamento não haveria filhos, e sem filhos seria o fim da dinastia Vasa. E foi o que aconteceu.</p>
<p>Uma pequena cena, logo no início, dá a ideia exata da personalidade da rainha. Cansada das pressões palacianas, disfarçada de homem comum, sai com seu fiel ordenança, a cavalo, pelo gélido interior da Suécia. É quando se depara com uma carroça atolada numa vala. De cima do cavalo, ela comandou e instruiu, com voz de ferro, como aqueles homens deveriam agir para desatolarem a carroça. Um exemplar típico da mulher (moderna) se misturando ao seu ofício.</p>
<p>E agora a parte sexual e romântica. Nesta mesma cavalgada, disfarçada de homem, como foi dito, ela chega a uma estalagem, onde vem a conhecer seu grande amor, Antônio (John Gilbert), o Conde de Pimentel, enviado espanhol para a Corte Sueca, que viera tratar justamente do casamento entre Cristina e o rei espanhol, Felipe IV. O conde não imaginava que estava se envolvendo com a rainha, fato que tomaria conhecimento quando viria a se apresentar, em Estocolmo, em audiência, com a própria! Uma sequência de cenas impagáveis, as da estalagem, principalmente aquela em que é obrigada a dividir a cama com o estrangeiro.</p>
<p>O que nos chama a atenção, na composição do enredo, são as surpreendentes coincidências pessoais entre Greta Garbo e a rainha Cristina. Greta parece sentir-se tão bem no papel que seu repertório corporal e oral parece não ter limites. E as semelhanças são várias.</p>
<p>Primeira, a nacionalidade sueca. Greta Garbo, com certeza, ainda menina, nos bancos escolares, tomara conhecimento da vida pública e pessoal da rainha. Que deleite não deve ter sido para ela, longe da pátria, rever pessoalmente essa figura histórica determinante para o seu país. Outra semelhança está em que ambas desistiram cedo de suas vidas públicas para se dedicarem à vida privada. Cristina tornara-se rainha aos seis anos e teve que abrir mão de sua vida pessoal. Não suportou, precisou abdicar, aos vinte e sete anos. Greta Garbo abdicou de sua carreira de atriz aos trinta e seis. Por motivos muito parecidos. Morte prematura do pai e investimento contumaz na construção de sua carreira de atriz. Antes dos vinte, já era admirada. Aos vinte e um já estava em Hollywood, onde imediatamente lhe estenderam o tapete vermelho da fama. E todas as responsabilidades decorrentes dela. Não teve tempo para respirar. Recolheu-se, então, por traz de sua imagem de atriz fenomenal que, como nenhuma outra, mostrava tanta intimidade com as câmeras. Mas, por razões estas e outras, preferiu ficar longe delas.</p>
<p>E as semelhanças prosseguem. O olhar artístico e humano, a fuga ao casamento, as incertezas sexuais, fica-nos, enfim, a impressão de que Greta não precisou fazer o menor esforço para encarnar Cristina. Ilusão, sabemos. Nada é mais penoso do que ser exuberante a cada filme, a cada <em>flash</em>, mesmo para quem já carrega a exuberância desde sempre. Greta, mais do que qualquer outra atriz à época, sentiu o peso de ser rainha.</p>
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<h3>Conheça <a href="https://escritorgerin.com.br/publicacoes/">O Voo da Pipa</a>, uma obra de Roberto Gerin.</h3>
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