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	<title>Arquivos Pedro Almodóvar - Roberto Gerin</title>
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		<title>Carne trêmula</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roberto Gerin]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Aug 2022 12:00:06 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<h1><strong>A obsessão pelo amor</strong></h1>
<p>Pedro Almodóvar nos oferece, com <em>CARNE TRÊMULA</em> (100’), Espanha (1997), um relato sobre a obsessão de amar. E, para falar de amor, nas suas intensidades múltiplas, nada mais eficiente do que ajustar a narrativa no formato de melodrama. Almodóvar (mais uma vez) não teve a menor cerimônia em armar um núcleo dramático novelesco para falar dos desencontros de pessoas que simplesmente não têm domínio sobre seus impulsos. São almas que trafegam a esmo em busca de satisfazer suas necessidades de afeto. E, ao ir em busca dessa satisfação, elas fazem da pessoa amada objeto de obsessão. Diante de seres tão perdidos, carentes de vida concreta, Almodóvar cria para si a oportunidade de brincar com seus títeres.</p>
<blockquote>
<h2>Em <em>Carne Trêmula</em>, o sexo é usado como arma de conquista.</h2>
</blockquote>
<p><em>Carne Trêmula</em> inicia com uma cena espetacular, digna dos melhores delírios de Almodóvar. Já são altas horas da noite quando uma jovem prostituta entra em trabalho de parto. Entre ruas desertas, não se encontra vivalma que possa levar a parturiente para um hospital. A dona do bordel entra em ação, parando um ônibus solitário a caminho da garagem. E é no ônibus, em grande estilo, com todo seu realismo de cores fortes, que nasce Victor Plaza, a personagem que movimentará a história. Depois da icônica cena, o filme avança vinte anos no tempo, colocando-nos dentro de uma Espanha já liberta da ditadura franquista.</p>
<p>Victor é um jovem criado sem orientações, acumulando valores duvidosos que foi colhendo vida afora. Roubar uma pizza é um ato justificável, desde que sirva a um fim proveitoso. No entanto, Almodóvar concentra a dinâmica dramática de <em>Carne Trêmula</em> no comportamento sexual inexperiente de Victor. Em uma noite qualquer de Madri, ele encontra uma jovem fogosa, com quem, em um banheiro, aos vinte anos, vive sua primeira experiência sexual. Esse é o gatilho que disparará o melodrama desenhado pelo roteirista: o uso do sexo como arma de conquista.</p>
<blockquote>
<h2>A pequena tragédia os unirá. Para o bem e para o mal.</h2>
</blockquote>
<p>Cumprindo o que haviam combinado, no sábado seguinte Victor (Liberto Rabal) aparece na casa de Elena (Francesca Neri). Ela não esperava por ele, tampouco se lembrava do compromisso. “Eu estava chapada” — alega. Dada a insistência do rapaz, ela contra-argumenta. O fato de ter-lhe dado o telefone e endereço não é razão para estabelecer qualquer vínculo de compromisso. Diante do desprezo de Elena, Victor reage. Mas sua reação é pacífica, afinal, Victor, apesar das suas inexperiências, é um jovem cordato. Não cabe nele a agressividade. No entanto, sua resiliência em conseguir o que deseja coloca-o em situação perigosa.</p>
<p>A cena seguinte define a estrutura do enredo, a partir da qual tudo se deslanchará em direção ao desfecho. É a cena que fortalecerá o melodrama, uma vez que constituirá seu núcleo forte e tenso (e, às vezes, inverossímil). Todas as dinâmicas interpessoais girarão em torno de cinco personagens comprometidas com o que aconteceu na sala da casa de Elena. A pequena tragédia os unirá. Para o bem e para o mal.</p>
<blockquote>
<h2>Para o protagonista de <em>Carne Trêmula</em>, sexo e amor são faces indissociáveis da mesma moeda.</h2>
</blockquote>
<p>No entanto, esse acontecimento, apesar de seu forte impacto na estruturação da trama, não é por si só condição para fazer a história se movimentar. Apesar de ela guardar um segredo, as consequências da cena se fecham em si mesma, a partir de um veredicto legal. Victor é condenado a vários anos de prisão.</p>
<p>O que faz a história se desdobrar e se contorcer é a insistência (nascedouro de gatilhos) do jovem em perseguir o amor de Elena. Aqui se estabelece uma situação interessante, geradora de ações futuras. E que justifica toda a obsessão de Victor por Elena. Para o jovem, sexo e amor são faces indissociáveis da mesma moeda. Ele conheceu Elena pelo sexo, e foi o sexo que arrebatou seu coração, prendendo-o a ela, indissoluvelmente. E a base do conflito se resume na sua reivindicação de jovem amante: que ela também seja arrebatada por ele. Qualquer situação contrária tornará a vida quase insuportável.</p>
<blockquote>
<h2>A habilidade do diretor salvou <em>Carne Trêmula</em> dos fortes tons novelescos.</h2>
</blockquote>
<p>Só para reforçar a tese acima, escute o que Victor diz a Elena: “<em>Enquanto eu te amar, você não vai se separar de mim</em>.”. E se ela não o amar? Não tem problema. Ele também está decidido a respeito, quando diz: “<em>Meu amor é suficiente para nós dois.</em>”.</p>
<p>Veja o risco a que Almodóvar se submeteu. Diante do que se colocou acima, fica claro tratar-se, <em>Carne Trêmula</em>, de um melodrama bem constituído, na linha drummondiana do Sancho que amava Clara, que amava Victor, que amava Elena, que amava David, que um dia amou Clara, mas que agora ama Elena, que amará&#8230; A despeito de trabalhar com material tão volátil e consumível, a habilidade do diretor salvou <em>Carne Trêmula</em> dos fortes tons novelescos, tirando-o definitivamente da vala comum, para onde são atirados os filmes descartáveis.</p>
<blockquote>
<h2>A narrativa só sobrevive porque Victor não desiste.</h2>
</blockquote>
<p>Em suma. <em>Carne Trêmula</em> acabou se transformando numa obra bem resolvida, o que prova que Almodóvar, apesar do pântano dramático em que se meteu, teve total domínio sobre o resultado do seu trabalho. Ele se apodera de uma personagem desorientada, filho de prostituta, e constrói para ela (Victor) uma vida de incertezas. É a crueldade do roteirista. Estraga a personagem para ter a oportunidade de, ao longo de quase duas horas, reconstruí-la. Depositá-la sã e salva no pedestal do desfecho feliz. E, para que o fim se realize, apesar de todos os perrengues, Victor não desistirá. O tempo gira, a roda também gira, o roteiro se retorce, e ele voltará ao ponto inicial, na sala da casa de Elena. Essa é a esperteza da composição do drama. Provar que a obsessão pode sim levar à redenção. Quer dizer, ao amor.</p>
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<h3>Conheça <a href="https://escritorgerin.com.br/publicacoes/">O Voo da Pipa</a>, uma obra de Roberto Gerin.</h3>
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		<title>Julieta</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Jun 2020 00:00:15 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<h1>DORES QUE FICAM, VIDA QUE VAI</h1>
<p>JULIETA (99’), direção de Pedro Almodóvar, Espanha (2016), é um filme que nos remete ao feminino naquilo que ele tem de mais humanamente incômodo. O de ter que carregar vida afora as dores de alguma culpa cujo epicentro é a maternidade. Dentro desta temática, você tem a mulher jovem se expandindo em sonhos (Adriana Ugarte), e depois, na virada da trama, agora na meia idade, a mesma mulher (Emma Suárez) se esvaindo em culpas. E para piorar, Julieta, a protagonista mãe, vê sua jovem filha ir embora para sempre, sem dar qualquer explicação. E por mais que a mãe a procure e a espere por longos anos, a filha não retorna. A estrutura narrativa se apoia justamente na ação da mãe escrevendo uma carta para a filha desaparecida, contando-lhe o que aconteceu no passado. E é neste contar a história que os fatos vão sendo revelados, e o espectador passa a entender a dinâmica de dores que exala do filme de forma tão misteriosa. É mais um Almodóvar na sua melhor estética, explorando com habilidade o jogo de cores, com predominância, óbvio, do vermelho, para tirar do drama a atmosfera desejada. Pode-se falar de dores com elegância, sem dúvida.</p>
<p>O roteiro é bem estruturado, mas não se prende à linearidade, o que lhe dá graça e vigor. O manejo aleatório do tempo como forma de fortalecer a dramaticidade é um recurso arriscado, mas, se bem dosado e aplicado, traz ganhos artísticos imensuráveis. Almodóvar não se acanha quanto a isso.</p>
<p>Trata o filme de um assunto recorrente em todos os lares do mundo. Que família não tem guardada em seus álbuns uma coleção de dores e culpas que ficam ali, por anos, mofando as relações, produzindo rancores e levando, na sua grande parte, a irrecuperáveis perdas de tempo? Talvez seja aqui, a nosso ver, o ponto filosófico do filme. Desperdiçamos nossas vidas nos enredando em um emaranhado de incompreensões que nos levam a cultuar dores que parecem incuráveis — às vezes queremos até que elas sejam insuportáveis, para assim podermos sustentar nosso jogo emocional. São dores que, muito provável, com uma boa conversa e uma fria análise dos fatos, poderiam simplesmente se esvanecer. Não que as dores não existam, ou não possam existir. Apenas a vida nos ensina que elas não precisam durar tanto e fazer tantos estragos. Como nos mostra o filme — e nisto ele é cruel —, precisamos de nova tragédia para consertar a anterior. Essa é a nossa crueldade conosco mesmos. E que nos prende eternamente às nossas feridas. E esta parece ser nossa condição humana. Vagarmos sob o peso de um destino muita das vezes estranho a nós.</p>
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<h3>Conheça <a href="https://escritorgerin.com.br/publicacoes/">O Voo da Pipa</a>, uma obra de Roberto Gerin.</h3>
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