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	<title>Arquivos resenha ao mestre com carinho - Roberto Gerin</title>
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	<title>Arquivos resenha ao mestre com carinho - Roberto Gerin</title>
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		<title>Ao Mestre Com Carinho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roberto Gerin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2020 22:49:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O AFETO COMO MÉTODO DE ENSINO AO MESTRE COM CARINHO (105’), roteiro e direção de James Clavell, Reino Unido (1967), é um filme tão bem-feito que nos dá a impressão de que ele já nasceu pronto. Ou foi realizado sem esforço. Lógico, sabemos que não é bem assim. Produzir filmes exige esforços artísticos e técnicos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h1>O AFETO COMO MÉTODO DE ENSINO</h1>
<p>AO MESTRE COM CARINHO (105’), roteiro e direção de James Clavell, Reino Unido (1967), é um filme tão bem-feito que nos dá a impressão de que ele já nasceu pronto. Ou foi realizado sem esforço. Lógico, sabemos que não é bem assim. Produzir filmes exige esforços artísticos e técnicos imensuráveis. Ademais, <em>Ao Mestre com Carinho</em>, baseado em livro homônimo de Edward Ricardo Braithwaite, publicado em 1959, traz uma temática moderna, sensível e explosiva. Questões socioeconômicas misturadas com racismo. Violências domésticas produzindo carências básicas, como a ausência de afeto e de orientação. Portanto, uma temática perigosa, em que há muito o que dizer e o que mostrar. E aqui reside toda a sinceridade do filme. A câmera nos leva direto, sem pudor, para dentro da sala de aula de uma escola da periferia de Londres, em um bairro operário do <em>East End</em>, apinhada de jovens perdidos, agressivos e infantilizados. Jovens que precisam de alguém que lhes mostre o rumo. E tem que ser rápido, porque alguns deles beiram já a delinquência.</p>
<p>O que fica evidenciado, logo nas primeiras cenas, é que qualquer professor, mesmo o mais experiente, pensaria mil vezes antes de entrar por aquela porta e encarar a turminha. O último não aguentou. E a escola acaba de contratar um novo professor. Inexperiente. Um engenheiro elétrico desempregado. Negro. Nascido na Guiana Inglesa e tentando a vida em plena Londres dos anos 1960. Então, professor&#8230; vai encarar?</p>
<p>Mark Thackeray (Sidney Poitier) é, sim, um engenheiro desempregado que, após ter tantos currículos recusados, não vê alternativa senão aceitar o emprego de professor em uma escola de periferia. Mesmo sendo aconselhado por seus futuros colegas professores a recusar o cargo, e mesmo depois do frustrante primeiro dia de aula, com fartas evidências de desrespeito, rejeição e racismo, Mark decide encarar o desafio. E o faz não só por estar desempregado, mas também por sua identificação imediata com a história daqueles jovens abandonados pelo sistema educacional londrino. Reside aqui a força moral e filosófica que explica sua decisão. Mark conhece muito bem o que se passa ali, atrás daquelas carteiras.</p>
<p>O filme trata com sensibilidade dos problemas de um grupo específico de jovens sedentos por alguém que lhes ensine os modelos elementares de convivência social. Nada de bombástico. É preciso apenas ensinar aos rapazes que se deve tratar uma mulher de senhorita e não de vadia. Que se deve dizer “com licença” quando entra, “bom dia” quando encontra. Sentar-se de modo correto à carteira, necessariamente tendo os pés presos ao chão. Enfim, corrigir comportamentos desajustados de jovens que trazem para a sala de aula a falta de ensinamentos básicos que famílias desestruturadas não conseguem oferecer a seus filhos.</p>
<p>A ausência desses ensinamentos leva naturalmente a um estado de selvageria. Que pode nos chocar, mas que é a realidade de muitas escolas, inclusive dentro de nossas fronteiras. Verdade é que estes jovens estavam apenas à espera de um mestre que os tratasse com carinho. Alguém que os conduzisse, com mãos firmes, para a vida adulta. E eis que, por obra do destino, adentra a sala um charmoso e carismático Sidney Poitier!</p>
<p>James Clavell tira do livro autobiográfico de Braithwaite um roteiro enxuto e preciso. Que beira o didático. E consegue levar o espectador ao limite da impaciência, a ponto de nos sentirmos tão desamparados quanto o professor. Podemos vê-lo parado diante dos alunos, sem saber o que fazer. Na verdade, o nervosismo começa antes, ainda no corredor, quando o professor, ele próprio tenso, encaminha-se para a sala de aula. Cresce a expectativa. O que vai acontecer? Qual a próxima provocação? Livros derrubados no chão? Tampas de carteiras largadas com estrondo? Pernas para o alto? Agressões verbais? Ironias? O pé da mesa cerrado, levando nosso professor quase ao chão? E ele ali, à frente, olhando a tudo, atônito.</p>
<p>Este é o melhor momento do filme. Quando nos perguntamos: será que o professor vai gritar? Vai esmurrar a mesa? Partir para o confronto físico? Não. Mark Thackeray simplesmente faz o que tem que fazer. Foge às provocações. Não morde a isca. Ele sabe que os conflitos não nascem na sala de aula. Eles vêm de fora, dos lares, das ruas. Afrontar a selvageria seria lutar contra moinhos de vento. Principalmente quando os conflitos de cada um se juntam num grande acordo orquestrado por Denham (Christian Roberts), o líder da arruaça. Conflitos unidos jamais serão vencidos! A não ser que a serenidade, a firmeza e a argúcia consigam nocauteá-los. E o mestre nocauteia. Um a um. Na individualidade, não no coletivo. Lúcido, Mark Thackeray sabe que o caminho da autoridade se constrói pelo respeito, jamais pelo confronto.</p>
<p>Eis o resultado: se não há o embate, o conflito perde seu alvo de ataque. Ele terá que se voltar contra si mesmo. É a lógica. Previsível, aliás. E foi o que aconteceu. O mestre, com sua postura neutra, de não confronto, criou o vácuo. O espaço onde cada aluno agora poderia olhar para si mesmo. Neutralizados os conflitos, as dores começaram a se manifestar. Nesse contexto, a figura paterna é a que surge com mais intensidade, provavelmente já num processo de identificação com aquele homem de gestos e olhares inabaláveis, de presença forte e jeito meigo, trazendo dentro de si uma amadurecida sensibilidade social, justamente do que os alunos precisavam.</p>
<p>O mestre simboliza a lei imposta pelo afeto, não pela pancada. E aqui o filme começa a fazer lentamente a manobra em direção à conscientização da realidade desajustada em que aqueles jovens estavam inseridos. E esta manobra em direção aos bons ventos se dá quando Mark Thackeray finalmente entende o que está acontecendo. Num golpe de mestre, pega a pilha de livros sobre a mesa e joga tudo na lata do lixo. Isso mesmo. E pergunta para os surpresos alunos sobre o que eles querem conversar. Sexo? Casamento? Relações? Família? Menstruação? Às favas com o ensino formal!</p>
<p>Apesar do encantamento, da rendição, do alívio, vale lembrar que a resistência não se quebra totalmente. Nem poderia, sob pena de o filme perder fôlego. A tensão gerada pelo confronto inicial persistirá até o fim, agora isolada na figura do líder da arruaça, aquele mesmo, Denham. E o anticlímax acontece na última cena, antes do desfecho, quando Denham desafia o mestre para uma luta de boxe. Uma situação interessante, quase subliminar. E totalmente necessária. O filme precisava, sim, de um confronto físico, mesmo que a escola, sabiamente, tivesse por norma jamais o utilizar.</p>
<p>Sidney Poitier empresta a Mark Thackeray seu charme, seu olhar, seu gesto gentil e denso, e, aos poucos, já não sabemos quem é o Mark e quem é o Sidney. A simbiose, do ponto de vista artisticamente humano, se concretiza. O filme inglês fez tanto sucesso nos Estados Unidos, em 1967, que a Columbia Pictures promoveu uma pesquisa para saber a razão por que tanta gente ia ao cinema para ver <em>Ao Mestre com Carinho</em>. A resposta foi quase unânime. Por causa de Sidney Poitier. Haveria alguma outra razão pra se ir ao cinema? Provavelmente sim, afinal, o filme é ótimo. Mas temos que admitir. Sidney Poitier é o filme.</p>
<p>Em suma. Assistam a <em>O Mestre com Carinho </em>para verem Sidney Poitier. Mas não só por isso. Aproveitem para entender porque o cinema, para ser pura diversão, tem que oferecer charme e esbanjar inteligência. Mesmo tratando de uma temática tão complexa quanto o delicado corpo social radiografado dentro de uma simples sala de aula. E é aqui, dentro da sala de aula, que o filme edifica a sua grandeza. A escola não precisa substituir a família. Nem deveria. Mas também não pode virar as costas para o que acontece dentro de seus muros, um caldeirão fervilhante de demandas e carências que precisam ser atendidas. Portanto, a escola tem que se preparar, sim, para acolher seus alunos. Afinal, não é toda sala de aula que terá um Mark Thackeray.</p>
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<h3>Conheça <a href="https://escritorgerin.com.br/publicacoes/">O Voo da Pipa</a>, uma obra de Roberto Gerin.</h3>
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