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	<title>Arquivos resenha Ao po - Roberto Gerin</title>
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		<title>Ao pó</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roberto Gerin]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Aug 2022 12:00:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>EM BUSCA DE UMA VIDA PERDIDA Os relatos de vida trazidos pelo romance de Morgana Kretzmann, AO PÓ, 157 pg., Ed. Patuá, não nos deixam alternativa senão compartilhar com a protagonista sua história de dores. A arte da escrita não impõe limites. Portanto, são muitas as possibilidades de criar estruturas narrativas que ofereçam ao leitor [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h1><strong>EM BUSCA DE UMA VIDA PERDIDA</strong></h1>
<p>Os relatos de vida trazidos pelo romance de Morgana Kretzmann, AO PÓ, 157 pg., Ed. Patuá, não nos deixam alternativa senão compartilhar com a protagonista sua história de dores. A arte da escrita não impõe limites. Portanto, são muitas as possibilidades de criar estruturas narrativas que ofereçam ao leitor emoções genuínas. No caso do romance <em>Ao Pó</em>, por tratar da temática do abuso, os desafios aumentam. Como trazer para as páginas a pungência de ato tão vil? Nesse sentido, coube à autora a coragem e a sensibilidade de trilhar os passos da dor do abuso, até levá-la às últimas consequências. Por mais que se espere, não há espaço para a compaixão, posto que o ato jamais poderá ser desfeito. Este talvez seja o grande nó emocional. O abuso é um crime que não tem retorno. A vítima percorrerá seu caminho, levando consigo a sua história.</p>
<blockquote>
<h2>Ir embora significará fugir do inferno.</h2>
</blockquote>
<p>Sofia, a protagonista-narradora, após viver uma infância de abusos praticados pelo tio — que depois passaria também a abusar da irmã mais nova, Aline —, realiza o que sempre sonhou: ir embora de sua terra natal, Tenente Portela, no Rio Grande do Sul. E ir embora significará fugir do inferno. Mas aqui o romance assume um peso extra — a culpa que Sofia levará consigo por ter deixado para trás, ao alcance do lobo, a irmã menor.</p>
<p>Essa é a relação umbilical que o romance <em>Ao Pó</em> estabelece entre as irmãs: a dor de Sofia passa necessariamente pela dor de Aline, por quem Sofia se sente responsável. Sofia é a mais velha, tem uma compreensão imediata do que está acontecendo, e, por isso, tem condições de manobrar as investidas do tio. Diferente da irmã, de alma e corpo indefesos, ainda necessitando de amparo. O fato de ter deixado Aline exposta ao perigo fez com que Sofia mergulhasse no poço da culpa. Não bastasse a culpa original, que impregna a psique de quem sofre abuso, agora essa culpa por ter abandonado a irmã à própria sorte. A dor se concretiza no dia a dia com a ruptura da relação entre as duas, fortalecendo primorosamente a musculatura narrativa do romance.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na busca sempre desesperada por soluções libertadoras, é comum que cada vítima tenha comportamentos singulares perante a memória do abuso. No entanto, as marcas parecem se repetir no corpo e na alma de todas e de todos, indistintamente. Nesse sentido, o que se espera de Sofia é o máximo que ela pode oferecer. E a autora é muito cuidadosa com sua protagonista, acompanhando seus deslizes e seus desesperos, contudo, sem abandoná-la. Esse é o cuidado criativo que Morgana Kretzmann reserva para sua criatura — evita julgá-la.</p>
<blockquote>
<h2>É esse distanciamento entre as irmãs, montado pela autora de <em>Ao Pó,</em> que vai impulsionar a protagonista a concretizar o desfecho que ela própria traçara para si.</h2>
</blockquote>
<p>Essa postura autoral fica clara na decisão da protagonista de largar tudo e sumir no mundo. Sofia, ao abandonar Tenente Portela para refazer sua vida no Rio de Janeiro, dá o passo decisivo na tentativa de reconstruir seu passado. No entanto, ao levar consigo a culpa pelo abandono da irmã, dá-se um fato curioso. O embate não ocorre diretamente com o abusador, posto que Sofia se movimenta sempre na busca silenciosa pela irmã. Mas as notícias chegam apenas em pequenos ecos desconexos que reforçam o cruel distanciamento entre as duas. É esse distanciamento, estrategicamente montado pela autora de <em>Ao Pó</em>, que vai impulsionar a protagonista a concretizar o desfecho que ela própria traçara para si.</p>
<p>Cabe aqui mais uma observação a respeito da arquitetura dramática do romance <em>Ao Pó</em>. Não é a autora quem decide o destino de sua personagem. Em estilo ágil, às vezes feroz, sempre límpido, Morgana não dá conta de domar Sofia, uma vez que Sofia já vem construída. A protagonista escapole do controle da autora e impregna as páginas do romance com sua existência de dores e suas buscas por um pouso que sabe nunca existirá. Não foi a autora que comprou a passagem da protagonista quando esta decide ir ao encontro do seu destino. Nem a Carlos Ilhas, o amor perdido, é autorizado tomar qualquer atitude em relação à vida de Sofia. As atitudes de coragem da protagonista são o ponto de mobilidade da trama em direção a seu clímax.</p>
<blockquote>
<h2>A culpa anula qualquer tentativa de reaproximação.</h2>
</blockquote>
<p>Sofia repete sua dinâmica de desconstrução pessoal na forma como ela se aproxima dos homens. Parece que vai catando cacos de vida para criar a coragem da aproximação. Seus envolvimentos afetivos sempre perpassam pela insegurança de ter que ser aceita plenamente, e ser aceita indica que as relações não passem apenas pelo corpo. Esta condição de supremacia do afeto sobre o desejo molda suas experiências de vida.</p>
<p>Em paralelo a um cotidiano que flui de forma tão conturbada, Sofia busca entender seu distanciamento com Tenente Portela. Esse distanciamento estampa-se em suas memórias afetivas pelo silêncio acusador da irmã. Silêncio que a oprime, e contra o qual sente-se impotente. A culpa anula qualquer tentativa de reaproximação.</p>
<blockquote>
<h2>O romance <em>Ao Pó</em> permite que a protagonista busque reparar sua história. Mas há reparação?</h2>
</blockquote>
<p>Em suma. Diante de tantos vazios preenchidos por dores, não resta a Sofia senão dar o último lance. A personagem não pode ficar parada no tempo. Não faz parte do seu <em>modus vivendi</em> entregar-se à tirania do destino. Aquilo que pertencia à fantasia, enfim, vai se concretizar, pois não cabe a compaixão como fonte de reconstrução. E Sofia precisa estar forte e pronta para a última reparação. Vai em busca dela, mesmo sem saber o que a espera. Na ficção, assim como na vida real, nada pode ficar em aberto. Temos que estancar nossas fontes de dor. E é o que Sofia acaba fazendo, ao dar seu derradeiro passo — vai ao encontro de sua vida perdida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<h3>Conheça <a href="https://escritorgerin.com.br/publicacoes/">O Voo da Pipa</a>, uma obra de Roberto Gerin.</h3>
</blockquote>
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