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	<title>Arquivos resenha estou pensando em acabar com tudo - Roberto Gerin</title>
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	<title>Arquivos resenha estou pensando em acabar com tudo - Roberto Gerin</title>
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		<title>Estou Pensando Em Acabar Com Tudo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roberto Gerin]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Nov 2020 15:30:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O QUE FIZ DA MINHA VIDA? O filme ESTOU PENSANDO EM ACABAR COM TUDO (134’), roteiro e direção de Charlie Kaufman, EUA (2020), tem causado estranheza e certa confusão nos espectadores. Fotografia em tons sombrios, diálogos acorrentados a uma simbologia a ser decifrada, cenários abarrotados de detalhes acolhendo longas cenas, imagens intrusas, atitudes suspeitas, porão [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h1>O QUE FIZ DA MINHA VIDA?</h1>
<p>O filme ESTOU PENSANDO EM ACABAR COM TUDO (134’), roteiro e direção de Charlie Kaufman, EUA (2020), tem causado estranheza e certa confusão nos espectadores. Fotografia em tons sombrios, diálogos acorrentados a uma simbologia a ser decifrada, cenários abarrotados de detalhes acolhendo longas cenas, imagens intrusas, atitudes suspeitas, porão misterioso, volatilidade temporal, tudo leva à primeira impressão de que se trata de um filme de terror. Inclusive alguns o classificam como tal: terror psicológico. Conclusão perigosa, no nosso entender. Não bastasse, o filme tem recebido o inadequado rótulo de incompreensível. Esse parece ser o adjetivo que tem assustado alguns espectadores.</p>
<blockquote>
<h2>O fio condutor de <em>Estou Pensando em Acabar com Tudo</em> se dá pelo drama interior da personagem.</h2>
</blockquote>
<p>Um casal de namorados viaja para uma fazenda, em visita aos pais dele. Ficam na fazenda o dia todo, anoitece, e voltam para a cidade. Entretanto, no meio do caminho, param no colégio onde o namorado Jake estudara quando jovem, e onde hoje — essa é a cereja narrativa — Jake, idoso, trabalha como zelador. Como assim&#8230; idoso!</p>
<p>Admite-se. A trama é intrincada, com justaposições aleatórias de tempo e espaço. Mas esse é o poder criador do filme! O de transitar pelo espaço e pelo tempo como se fosse um grande palco sem coxias, sem cortinas, sem bambolinas, sem luz, sem plateia. Apenas a ação dos figurinos e da maquiagem para estabelecer a relação de tempo com o drama interior da personagem. É exatamente o que acontece — o fio condutor do filme se dá pelo drama interior da personagem.</p>
<blockquote>
<h2><em>Estou Pensando em Acabar com Tudo</em> é um filme de uma clarividência humana terrível.</h2>
</blockquote>
<p>Quando se trata de memórias misturadas a alucinações, quebra-se a cronologia real, pois tudo acontece ao mesmo tempo, numa sequência racional improvável. No entanto, é possível perceber que as cenas se estruturam a partir de uma proposta do consciente, dando à narrativa uma organização inesperada. As imagens vêm e vão, algumas rápidas, como a imagem da mão envelhecida de Jake jovem dirigindo o carro, mas tudo é controlado para que se dê um significado real ao todo. <em>Estou Pensando em Acabar com Tudo</em> é um filme de uma clarividência humana terrível, quando nos alerta para o perigo de virmos a descobrir o quanto fomos incapazes de viver. Essa é a dor solitária da personagem zelador.</p>
<p>Jake, o protagonista de <em>Estou Pensando em Acabar com Tudo</em>, passou a vida no mesmo lugar onde nascera. Com a morte dos pais, até eles morrerem, passa a tomar conta da fazenda. Para se sustentar, emprega-se como zelador no mesmo colégio rural onde estudara quando jovem. Um ser tão apagado (esquisitão), tão inexpressivo, que sua biografia não cobriria dez páginas de um livro. É assim que vamos encontrar o velho Jake: preparando-se para mais um dia de trabalho.</p>
<blockquote>
<h2>Será então a hora de o velho Jake pôr fim a tudo.</h2>
</blockquote>
<p>Tomado de amargura, crivado de frustrações, Jake é um homem que não se realizou como tal. Sem o exercício saudável do afeto e do sexo, incapaz de se expressar, essa é sua condição humana. E é assim que ele se apresenta no dia do filme, quando as coisas parecem ter tomado proporções ainda mais alarmantes. Enquanto vai limpando os corredores do colégio — é noite —, ele vai reconstruindo uma felicidade impossível. Imagina-se estar namorando uma garota por quem se apaixonara quarenta anos atrás, mas que, por total incapacidade de se mover, dela não se aproximara.</p>
<p>E aqui chegamos ao ponto central da trama. É a garota de quarenta anos atrás quem alimenta o filme de ilusões, de frustrações, de memórias, de desesperanças, da sensação de que a vida se perdera e nada mais resta senão acabar com tudo. É dela que ouviremos repetidas vezes a decisão — estou pensando em acabar com tudo. Quando a alucinação de Jake chega de carro ao colégio, é o momento de parar de alimentar o mundo paralelo e voltar para a realidade indesejada. Será então a hora de o velho Jake pôr fim a tudo.</p>
<blockquote>
<h2>Ora, se entrarmos na realidade, vamos ter que agir!</h2>
</blockquote>
<p>“<em>As pessoas pensam de si mesmas como pontos luminosos se movendo no tempo. Mas provável seja o contrário. Estamos parados, é o tempo que passa por nós, soprando como o vento frio, roubando nosso calor, nos ressecando e nos congelando.</em>”. Esta é a visão da existência de Jake pelo próprio Jake! É o sentido de inutilidade, de apatia, de preferir se entregar nas mãos do milagre que nunca acontece. É o transferir para outrem a responsabilidade de termos que viver, e viver significa transitar pela realidade, onde vamos encontrar de tudo, os prós a nosso favor, que nos alegrarão e nos levarão ao sucesso, e os contras, que nos empurrarão penhasco abaixo.</p>
<p>Ora, se entrarmos na realidade, vamos ter que agir! Não temos como ficar parados, presos à lamentação de que a sorte não nos brindou com as qualidades sonhadas de um ser poderoso e ativo. Jake construiu para si uma vida que não viveu, e desta construção, em seu último instante, gerou este belo filme que fala da velhice, da solidão, do sentimento de fracasso, do medo, da incompreensão, e acima de tudo, mostra como a ausência do afeto resseca nossa alma e nos transforma em um fantasma insepulto.</p>
<blockquote>
<h2>Outro ponto a se destacar em <em>Estou Pensando em Acabar com Tudo</em> são as interpretações dos atores.</h2>
</blockquote>
<p>O mais interessante na construção do roteiro, mesmo que dominado por vigorosos diálogos, em um formato existencial inigualável, é estar ele intimamente colado às imagens, numa construção artística bastante próxima de um Ingmar Bergman. Os diálogos existem para fazer as imagens clamarem para serem vistas e compreendidas, numa construção fílmica que se alça em pungentes sensações de uma alma em desespero. E neste desespero fica a impressão para o espectador de que as pontas estão soltas, nada faz sentido, a visão não é panorâmica, pelo contrário, rasteja na silenciosa melancolia do zelador.</p>
<blockquote>
<h2>Na loteria genética, deu azar. Jake ficou com a pior parte.</h2>
</blockquote>
<p>Outro ponto a se destacar em <em>Estou Pensando em Acabar com Tudo</em> são as interpretações dos atores. Eles carregam suas personagens como seres humanos sofridos, derrotados, destoando dos ritmos que a vida lhes impõe. Recusam-se a serem seres humanos normais. O Jake jovem, com seu tom enigmaticamente monocórdio, de um pobre coitado inteligente e culto — o que por si só já é uma contradição —, parece apenas viver para purgar o pecado de estar existindo. É como ele se reconhece: na loteria genética, deu azar. Ficou com a pior parte.</p>
<p>Para mencionar o elenco, em construções de perfis primorosos, temos o Jake jovem encarnado por Jesse Plemons; Lucy, a namorada, por Jessie Buckley; os pais de Jake, fenomenais, variando seus perfis como que projetados por um ilusionista, ela, a mãe, Toni Collete, o pai, David Thewlis. E, por fim, o zelador, o que alucina a narrativa e lhe dá sentido, Guy Boyd.</p>
<blockquote>
<h2> A volatilidade temporal de <em>Estou Pensando em Acabar com Tudo</em> nos submete a um jogo cênico aparentemente indecifrável.</h2>
</blockquote>
<p>Como forma de se suprir, Jake projeta na namorada, que varia de nome, conforme a idealização que ele faz dela — ora pintora, ora poeta, ora&#8230; —, o seu próprio eu. Ela é o eu de Jake, sem que Jake dê ao feminino a oportunidade de ser mulher. Tanto é verdade que o momento especial de afeto e entrega se dá no encontro do velho Jake (o real) com sua desejada namorada (o imaginário) de quarenta anos atrás. É quando a consciência da perda vai tirá-lo da fantasia e direcioná-lo para a decisão final. A dança será apenas a última alegoria do acasalamento que nunca aconteceu. E na sequência, a morte do noivo pelo Jake na meia idade será o golpe fatal. Um basta!</p>
<p>Antes de finalizar, vale fazer uma pequena demonstração do grau de eficiência da volatilidade temporal a que o filme nos submete. Parece-nos, à primeira vista, indecifrável, mas não é. Só dá um certo trabalho para compreender.</p>
<blockquote>
<h2>Eis que se dá o encontro fantástico entre o nascimento (camisola) e a morte (uniforme).</h2>
</blockquote>
<p>Vamos pegar a cena em que Jake jovem está dando papinha para a mãe decrépita, acomodada numa cadeira de rodas, vestindo camisola. A cena se inicia por volta do minuto sessenta e dois do filme. Aqui temos dois tempos distintos. Jake jovem e mãe decrépita. A namorada abandona o quarto alegando deixar os dois, filho e mãe, na sua intimidade. Na sequência, após a bela cena da escada — que se rebobina —, a namorada, ao descer, por volta do minuto sessenta e cinco, encontra o pai, também na decrepitude, acompanhado do Jake jovem. O pai oferece a ela a mesma camisola agora manchada da papinha do bebê Jake. São três tempos distintos. Bebê Jake, Jake jovem, pai decrépito. Na sequência, minuto sessenta e sete, a mesma camisola está agora nas mãos da mãe na meia idade de Jake, que pede à namorada que coloque a camisola manchada da papinha do bebê Jake na máquina de lavar roupa que se encontra no porão. Aqui temos três tempos convivendo simultaneamente, mãe meia idade, namorada do Jake jovem e o bebê Jake. A namorada, na sequência, minuto sessenta e oito, desce até o porão, e ao abrir a máquina de lavar roupa, já em funcionamento, descobre que os uniformes de zelador do velho Jake estão sendo lavados. Aqui se dá o encontro fantástico entre o nascimento (camisola) e a morte (uniforme), o bebê Jake com o velho Jake zelador; e, no meio deles, o terceiro tempo representado pela namorada. Portanto, percebam a alucinação temporal, de uma precisão cirúrgica, que o filme nos oferece nas suas magníficas metáforas.</p>
<blockquote>
<h2>Essa é a “confusão” inicial de <em>Estou Pensando em Acabar com Tudo</em>.</h2>
</blockquote>
<p>Na tentativa de explanar mais claramente a questão da confusão aparente que o filme parece gerar, conduzindo a compreensão do espectador para caminhos diversos, vamos nos ater a mais uma percepção. Se é ponto pacífico que o filme é movido pelas alucinações do solitário velho Jake — apenas Zelador —, esta percepção o filme não nos oferece de imediato. As cenas iniciais, enquanto a namorada está na calçada esperando o namorado, são disponibilizadas diante de nossos olhos de forma aleatória. Vemos na sequência a casa da fazenda, o velho Jake e, por fim, o Jake na meia idade espiando da janela, enquanto a namorada, lá embaixo, espera o namorado Jake. Tais cenas são insuficientes para nos alertar sobre o que realmente está acontecendo. Essa é a “confusão” inicial de <em>Estou Pensando em Acabar com Tudo</em>.</p>
<blockquote>
<h2>Não é uma narrativa normal, com começo, meio e fim. E isso só percebemos quando o filme está se encaminhando para seu final.</h2>
</blockquote>
<p>Em suma. Quando estamos quase sendo capazes de montar o quebra cabeça, o filme já está praticamente no fim. E teremos que admitir que fomos pegos numa armadilha. Na ânsia de entender o que se passa, fomos perdendo detalhes importantes e decisivos, o que nos traz a sensação de estarmos assistindo a um filme incompreensível. Aconselhamos a rever esse poderoso filme <em>Estou Pensando em Acabar com Tudo</em>. Uma ou até duas vezes. Será um exercício prazeroso, feito de pequenas surpresas que nos levará ao ponto que interessa — a entrar em contato com um ser humano que, ao chegar à velhice, tenta significar a dor de ver que sua vida passou sem que tivesse sido vivida.</p>
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<h3>Conheça <a href="https://escritorgerin.com.br/publicacoes/">O Voo da Pipa</a>, uma obra de Roberto Gerin.</h3>
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