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	<title>Arquivos Fiódor Dostoiévski - Roberto Gerin</title>
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	<title>Arquivos Fiódor Dostoiévski - Roberto Gerin</title>
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		<title>Um jogador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roberto Gerin]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Aug 2022 12:00:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>FICÇÃO COM RETOQUES DE AUTOBIOGRAFIA  O romance de Fiódor Dostoiévski, UM JOGADOR, 215 pg., Editora 34, lança uma luz fosforescente sobre a vida do escritor russo, no que tange a seu conhecido vício em jogos. Falido, precisando de dinheiro e pressionado pelo editor — que lhe dá o prazo de um mês para entregar alguma [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h1><strong>FICÇÃO COM RETOQUES DE AUTOBIOGRAFIA</strong></h1>
<p><strong> </strong>O romance de Fiódor Dostoiévski, UM JOGADOR, 215 pg., Editora 34, lança uma luz fosforescente sobre a vida do escritor russo, no que tange a seu conhecido vício em jogos. Falido, precisando de dinheiro e pressionado pelo editor — que lhe dá o prazo de um mês para entregar alguma obra —, Dostoiévski, com a ajuda da estenófraga Anna Grigórievna (com quem viria a se casar), compõe <em>Um Jogador</em> em vinte e cinco dias — entre os dias 4 e 29 de outubro de 1863. É um fôlego literário de dimensões épicas. E o resultado, a despeito do curto prazo, é inquestionável. <em>Um Jogador</em> vem a se tornar uma das obras mais importantes de sua extensa literatura. Artista de estatura incomparável, seu talento resistiria também a esse contratempo.</p>
<p>A trama, sufocante, gira em torno do jogo. Melhor. Do vício — este, sim, o elemento dramático que sufoca. É ao redor das roletas de um cassino, numa estação de águas no interior da Alemanha — cujo nome, Roletemburgo, já é bastante incômodo —, que Dostoievski constrói uma narrativa demoníaca a respeito do vício. Ele contrapõe personagens que se movimentam guiados pela cobiça. A ânsia pelo dinheiro fácil escapole dos diálogos cheios de ressentimentos e intenções. Mas o que se percebe é que a única (remota) possibilidade de se obter o dinheiro desejado é atravessar a rua e adentrar o Cassino.</p>
<blockquote>
<h2>A avó é a figura máxima do romance <em>Um Jogador.</em></h2>
</blockquote>
<p>No entanto, somente duas personagens se aproximarão das roletas ao longo de todo o romance. É o suficiente para Dostoiévski nos mostrar o quanto o vício corrói a autoestima de um jogador, lançando-o num terrível vácuo existencial.</p>
<p>A primeira das personagens a se infiltrar por entre a pequena multidão que cerca a mesa de jogo é o protagonista Aleksiéi Ivánovitch, que faz também as vezes do narrador, e a quem Dostoiévski empresta todo seu conhecimento sobre o complexo mundo da jogatina. Aleksiéi sabe que tem que manter o sangue-frio e o autocontrole, mas até quando? Até começar a ganhar além da conta? Ou até começar a perder tudo o que ganhou? A euforia do ganho fácil destrói o jogador calculista e frio, dando lugar ao jogador dominado pelos encantos da sorte e desesperado com a insistente presença do azar.</p>
<p>A segunda personagem a se sentar diante do crupiê e ali ficar por horas, sob o risco de perder toda a fortuna, é a avó. Essa é a figura máxima do romance! É a biruta que gira tresloucadamente em todas as direções, deixando rastros de angústia por onde passa. Sua insolência determina o ritmo do desespero dos que a cercam e dela dependem.</p>
<blockquote>
<h2>Dostoiévski expõe à luz do dia o terrível jogo emocional entre perdedores presos ao domínio tirânico do imponderável.</h2>
</blockquote>
<p>Este é o fato inicial de <em>Um Jogador</em>. Todos aguardam notícias da distante Rússia sobre a iminente morte da avó — morte que significaria a herança farta; portanto, a solução para os problemas dos endividados. No centro dessa angustiante espera pelo óbito, está o sobrinho general. Sem o dinheiro da avó, ele sabe que estará arruinado.</p>
<p>E eis que chega o momento em que a narrativa entra em seu eixo natural. Certo dia, a avó desembarca na estação de águas de Roletemburgo e, impávida (e saudável), dirige-se para o Cassino. E de lá só sairá depois que o último centavo (copeque) se for.</p>
<p>É aqui que Dostoiévski expõe à luz do dia o terrível jogo emocional entre perdedores — no vício não há vencedor — presos ao domínio tirânico do imponderável. E o autor vale-se de trágica comicidade para realçar o desespero que toma conta de todos, devedores e credores, ao verem a avó dilapidar sua fortuna. Aleksiéi é intimado a ficar junto da avó, com a missão de salvar a fortuna que lhes pertence por direito de herança. Mas, eis a situação! Um viciado tentando conter o vício alheio! Eis a ironia.</p>
<blockquote>
<h2>O romance <em>Um Jogador</em> é autobiográfico?</h2>
</blockquote>
<p>Dostoiévski há tempos alimentava o desejo de escrever algo sobre o jogo. Era uma temática que lhe pertencia, adquirida por meio de sofridas experiências pessoais. Se levarmos em consideração a maneira faminta com que o autor expeliu o romance, podemos imaginar o quão doloroso não foi para ele se defrontar com a realidade do vício. E aqui entra o ponto de discussão, matéria de muitas teorias mundo afora: até onde o romance <em>Um Jogador</em> é autobiográfico?</p>
<p>Que há inúmeros elementos autobiográficos no romance, disto parece não haver dúvida. A própria Anna Grigórievna, que o auxiliou taquigrafando o que Dostoiévski lhe ditava, confirma a forte influência de dados pessoais na composição do romance. E aqui acrescentamos mais uma pequena análise que vem corroborar a tão difundida tese da autobiografia.</p>
<blockquote>
<h2>Dostoiévski despeja nas páginas sagradas de <em>Um Jogador</em> o sentimento de fracasso diante de lutas inglórias para se ver livre do vício.</h2>
</blockquote>
<p>Veja que, na pressão de ter que escrever um romance em apenas um mês, não é difícil entender por que Dostoiévski buscou na vida pessoal elementos romanescos para enfrentar tarefa tão hercúlea. Ele precisava buscar seivas dramáticas que estivessem a seu alcance imediato. O tempo urgia, não havia espaço para elaborações, fermentações, prospecções, enfim, não havia tempo hábil para Dostoiévski amealhar fatos e ideias que viessem a compor o enredo do romance. Ele precisava, qual um apanhador de uvas, estar imerso no parreiral, onde bastava esticar a mão e ter a posse do cacho de que precisasse. Nada mais prático, portanto, que recorrer a si como fonte de experiências, ideias, sentimentos e emoções, além, óbvio, das recordações.</p>
<p>Nesse sentido, a figura de Aleksiéi, seu alter ego, transforma-se no protagonista perfeito para Dostoiévski despejar nas páginas sagradas de <em>Um Jogador</em> o sentimento de fracasso diante de lutas inglórias para se ver livre do vício. A personagem gira, ao longo de toda a narrativa, em torno deste dilema.</p>
<p>Não que Dostoiévski se sentisse um fracassado (quem garante?), mas, se levarmos em consideração o desfecho do romance, podemos supor que tanto a relação amorosa do protagonista-narrador com Polina, mulher enigmática, mas que se revela no final e oferece para Aleksiéi um horizonte possível, quanto seu fracasso em impedir a dilapidação da fortuna da avó revelam que poucas esperanças de vitória existiam diante do todo poderoso vício.</p>
<blockquote>
<h2>O vício tira do viciado tudo o que lhe pertence, corpo e alma.</h2>
</blockquote>
<p>O dinheiro é o líquido viscoso que percorre por entre as linhas de <em>Um Jogador</em>. Escoa das mãos com a mesma facilidade com que fora acumulado. Esse pêndulo guarda toda a angústia entre o vício, que é a necessidade de simplesmente estar jogando, ganhando ou perdendo, e a percepção da necessidade de parar na hora certa. Mas, enfim, qual é essa “hora certa”? Enquanto se procura por ela, segue o jogo!</p>
<p>O desenrolar da narrativa nos traz a impressão de que o vício é dissociado do dinheiro. De que são duas entidades que se complementam, mas que não necessariamente estabelecem entre si uma relação de causa e efeito. Esta colocação parece fazer sentido, uma vez que não se pode prever a sorte, muito menos evitar o azar. Entre a indisfarçada ânsia pelo ganho e a insuportável angústia da perda, o dinheiro torna-se uma personagem secundária. E essa é a trágica condição humana que Dostoiévski relata em <em>Um Jogador</em>. O vício tira do viciado tudo o que lhe pertence, corpo e alma.</p>
<blockquote>
<h2>O grito do crupiê anunciando o resultado é o momento fatal.</h2>
</blockquote>
<p>Talvez pela própria necessidade de terminar em curtíssimo prazo o romance, Dostoiévski imprimiu a ele um ritmo diferente, de urgência, com suas personagens entrando e saindo de cena, num interminável espetáculo teatral. Fica evidente que o autor busca na comicidade esse elemento vivo e ágil que transporta a narrativa para lugares mais arejados, compensando a angustiante ânsia de ter que conviver com o vício. O grito do crupiê anunciando o resultado é o momento fatal. O ápice indesejado da angústia! É a lança cravada no peito! É o terrível momento que sacraliza o vício. A comicidade é apenas a sua válvula de escape. É a cortina flutuante que mascara a dor.</p>
<p>Há uma outra questão a abordar, que diz respeito à preocupação de Dostoiévski em contrapor a velha Rússia à Europa Ocidental. Perfilam pela trama alemães, um francês aristocrata ganancioso e um inglês de procedência duvidosa. Esse jogo de nacionalidades permeia as ações principais do romance, trazendo para o velho Dostoiévski mais uma oportunidade de lançar suas chispas contra o anseio de ocidentalização da Rússia. Nas bordas da roleta, e distante dela, o credor é sempre o europeu.</p>
<blockquote>
<h2><em>Um jogador</em>, a despeito de seus decisivos elementos autobiográficos, emerge como um romance de ficção.</h2>
</blockquote>
<p>Esse trânsito entre culturas — de um lado, uma Rússia geograficamente isolada, alimentada por anseios de europeização, e de outro, uma Europa pujante, caminhando em direção à civilidade e à total industrialização — permite a Dostoiévski discutir o verdadeiro papel do russo leal às suas tradições. A Rússia pode ser o que for, mas ela não abrirá mão de sua verdadeira origem. Nesse ponto, o escritor russo apresenta-se como o feroz guardião da identidade russa.</p>
<p>Em suma. <em>Um jogador</em>, a despeito das velhas discussões sobre seus decisivos elementos autobiográficos, emerge como mais um romance de ficção. Estão ali todas as características técnicas e romanescas que assim o definem. Dostoiévski é um velho observador da natureza humana, e ele não se omite em trazer para suas páginas os modelos humanos que chamam sua atenção. Essa capacidade de filtrar a realidade e tirar dela o que pode ser útil para compor a obra ficcional é que faz o diferencial do artista. Dar retoques ficcionais à realidade é seu compromisso de artesão, pois, ao forjar a sua obra, ele a entrega aos cuidados da arte eterna.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
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</blockquote>
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		<title>Os Demônios</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Apr 2022 12:00:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A GESTAÇÃO DOS DEMÔNIOS Fiódor Dostoiévski, quando se propõe a radiografar pedaços da realidade política e social da sua velha Rússia, não brinca em serviço. Não economiza tinta. Muito menos se intimida. Amparado por sua genialidade de escritor e munido de ferramentas artístico-literárias inconfundíveis, ele simplesmente escarafuncha as mentes humanas inseridas numa estrutura de ações [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h1><strong>A GESTAÇÃO DOS DEMÔNIOS</strong></h1>
<p>Fiódor Dostoiévski, quando se propõe a radiografar pedaços da realidade política e social da sua velha Rússia, não brinca em serviço. Não economiza tinta. Muito menos se intimida. Amparado por sua genialidade de escritor e munido de ferramentas artístico-literárias inconfundíveis, ele simplesmente escarafuncha as mentes humanas inseridas numa estrutura de ações atreladas ao destino da nação russa. Portanto, para entender o que está acontecendo a sua volta, Dostoiévski usa a tática infalível de entender os agentes desta realidade. O que lhe interessa, em longos e belos parágrafos, é deixar suas personagens falarem, e falarem, e opinarem, e reclamarem, para tirar da verborragia os deslizes psicológicos de que precisa para traçar o painel social do seu romance. Neste portentoso OS DEMÔNIOS, 687 p., Editora 34, o escritor russo talvez consiga imprimir uma de suas melhores marcas, que é o domínio da escrita aliada ao total e sensível conhecimento das temáticas que aborda.</p>
<p>Fiódor Dostoiévski sempre esteve intimamente ligado às efervescentes questões políticas que agitaram a Rússia, principalmente na segunda metade do século XIX, e que levariam, no começo do século XX, à Guerra Civil Russa, cujos principais efeitos foram enterrar a dinastia Romanov e instalar o sistema político socialista. Em <em>Os Demônios</em>, Dostoiévski nos conduz para a realidade futura de uma Rússia em transição social e econômica, que já não mais aceita empunhar as enferrujadas armaduras monárquicas.</p>
<blockquote>
<h2>O crime repercutiu na impressa, causando comoção social em toda a Rússia.</h2>
</blockquote>
<p>Como não podia deixar de ser, o autor parte de fatos (sempre os fatos movendo a literatura de Dostoiévski) para compor esta obra monumental. Em meio a tantas organizações políticas que rastejam pelos porões de uma Rússia em frangalhos, aparecem os oportunistas, que são aqueles que querem agitar sem saber exatamente por que e pelo que lutam. São estes personagens da vida política russa que Dostoiévski vai convidar para fazer parte de seu romance <em>Os Demônios</em>.</p>
<p>Devo acrescentar que Dostoiévski era profundo conhecedor desses movimentos políticos que fermentavam suas ideias em bares clandestinos e agitavam, com seus panfletos, as ruas dos principais centros russos, afinal, o escritor fizera parte de um desses movimentos, que quase o levara a ser fuzilado. Apesar da militância, Dostoiévski foi lúcido o suficiente para separar o joio do trigo. E foi com esta postura ética que ele se sentou para escrever seu maravilhoso romance <em>Os Demônios</em>.</p>
<p>Um estudante que fazia parte de uma destas organizações políticas clandestinas — Justiça Sumária do Povo —, por não mais concordar com seus rumos políticos, resolveu se afastar da entidade. Esta atitude de rebeldia custou-lhe a vida. Foi assassinado pelos demais membros. Era o dia 21 de novembro de 1869. O crime repercutiu na impressa, causando comoção social em toda a Rússia, e na Europa. Dostoiévski acompanhou atentamente o julgamento deste crime político — aliás, o primeiro a ser ampla e abertamente debatido pela imprensa russa —, criando nele o interesse em escrever um romance em torno do fato. Abandonou os projetos em andamento e se dedicou a este feliz trabalho que se transformaria em uma de suas principais obras-primas.</p>
<blockquote>
<h2>Ler é um ato solitário, de muita paciência, mas que possibilita inesquecíveis mergulhos em outras realidades geográficas e culturais.</h2>
</blockquote>
<p>A trama de <em>Os Demônios</em> se desenvolve em dois cenários principais. No primeiro, vemos os grandes salões da aristocracia burocrática russa, com suas personagens de compleições psicossociais decadentes, representantes fiéis do ocaso da aristocracia russa pelas mãos cada vez mais inseguras dos Romanov. Por outro lado, vemos os cubículos escuros e lúgubres nos arredores da cidade, onde se trama, de forma confusa, o futuro de uma nova Rússia. A literatura de Dostoiévski transita entre estes dois mundos que se confundem, camadas sociais que se interpenetram, se traem, se bajulam, se entrelaçam em intenções nem sempre honestas. É este fermento psicossociológico putrificado que vai gestar atitudes de bravatas ideológicas e que desembocará em um simples crime. Só que este crime aparentemente episódico vai aos poucos adquirindo uma inesperada dimensão política. O crime se torna necessário para que a clandestinidade não seja desmascarada.</p>
<p>Falar da literatura de Dostoiévski é um desafio que este resenhista se recusa a encarar. Não por covardia intelectual, senão que a estatura artística deste grande escritor não cabe em proposta de escrita tão passageira. Cabe-nos apenas chamar a atenção dos leitores para mais esta obra merecedora de ser lida e cultuada. E que as 687 páginas desta edição não assustem. Afinal, ler é um ato solitário, de muita paciência, mas que possibilita inesquecíveis mergulhos em outras realidades geográficas e culturais. Dostoiévski esgrime as palavras com total consciência de artista, usando-as não só para compor mais uma de suas literaturas, mas também para espantar os demônios que habitam as entranhas e precisam ser exorcizados. Nada melhor do que a eficiente beleza do estilo feroz e genial para trazer à luz mais este pequeno pedaço de humanidade. É só o que temos a fazer. Sugerir mais esta inevitável leitura.</p>
<blockquote>
<h2>Ao permitirmos que vilipendiem os valores que compõem nosso sistema de vida, estaremos abrindo as portas para os demônios.</h2>
</blockquote>
<p>Em suma. Ao criar o tenebroso personagem Vierkhoviénski e seus assustados comparsas, hábeis em cavar túneis imorais, Dostoivéski nos apresenta possibilidades políticas desastrosas, passíveis de serem produzidas por sociedades que se desconectam dos valores humanos, perenes e inatacáveis. Portanto, ao permitirmos que vilipendiem os valores que compõem nosso sistema de vida, estaremos abrindo as portas para os demônios. E será sempre assim. A cada tentativa desastrada de nos livrarmos dos velhos demônios, acabamos criando outros, de mesma feição e capacidade de destruição. Diante desta dança macabra pelo poder, nunca nos faltaram mentes luminosas para nos alertar. Eis uma boa razão para lermos <em>Os Demônios</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<h3><a href="https://escritorgerin.com.br/publicacoes/">Clique aqui para conhecer</a> <span style="color: #000000;"><strong>O VOO DA PIPA,</strong></span> uma obra de Roberto Gerin.</h3>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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