A LITERATURA COMO COMPANHEIRA Para definir o romance de Camila Sosa Villada, O PARQUE DAS IRMÃS MAGNÍFICAS, 206 pg., Ed. PLANETA, podemos nos servir do adjetivo que qualifica, no título, as personagens da trama: magnífico. Ninguém, seguindo sua história pessoal, poderia ser mais autorizado a escrever sobre a realidade das travestis senão a própria Camila. Sua voz terrivelmente límpida, e…
ATÉ TU, BIBLIOTECA NACIONAL! Diante de tantas lambanças ideológicas a que o país tem se submetido nos últimos tempos, agora mais esse comportamento disfuncional da Biblioteca Nacional, na sua decisão constrangedora de condecorar anticelebridades do livro. A atitude da Biblioteca apenas vem confirmar os tempos estranhos em que vivemos. Em uma ficção — já que estamos falando de livros —,…
NÃO EXISTE SONHO PERFEITO Uma das boas surpresas do mercado literário atual é o romance de estreia de José Falero, OS SUPRIDORES, 301 pg., Ed. TODAVIA. O romance é vigoroso, tem uma escrita portentosa. O autor maneja as palavras com tamanha naturalidade, como se elas fossem o sangue que corre em suas veias — jorram aos borbotões, que o leitor…
A CPI DA GUERRA DA UCRÂNIA Os barões da política nacional ocupam os corredores de Brasília para gritar impropérios contra os culpados pelo aumento dos combustíveis. A mais nova investida é a proposta de instauração da CPI da Petrobrás, que pretende escarafunchar o coração da empresa, na esperança de encontrar as razões ocultas para tantos aumentos da gasolina e do…
A METÁFORA DA DOR O premiado romance de Jeferson Tenório, autor carioca radicado em Porto Alegre, O AVESSO DA PELE, 189 p., Ed. Companhia das Letras, como se revela no próprio título, traz à luz o debate entre a aparência e a essência. E o autor coloca o dedo na ferida. O que somos além da pele que nos veste?…
A OPINIÃO E O FATO Quem não adora sentar-se à mesa de um boteco, ou à mesa da cozinha de casa, ou nas redes sociais, e se pôr a emitir opiniões sobre isso, sobre aquilo? Repetindo ideias alheias, ou reforçando mantras que carregamos dentro de nós como se fossem nossa bíblia? A verdade é que gostamos de dar opinião. Faz…
QUANDO A MALDADE SE TORNA UM BEM COMUM DOGVILLE, (178’), direção de Lars Von Trier, Dinamarca/Suécia/EUA (2003), quebra com alguns paradigmas a que estamos acostumados quando se trata de concepção de cenários cinematográficos. Essa é uma das surpresas do filme. Mas não a mais importante. Dogville é uma cidade. Até aí tudo bem. Só que é uma cidade desse tamanho…
OS EFEITOS DO DESENRAIZAMENTO Antes de falarmos do romance MINHA CASA É ONDE ESTOU, 156 p., Editora Nós, cabe falar um pouco da autora, Igiaba Scego, uma vez que se trata, o romance, de uma obra claramente autobiográfica. Igiaba Scego é uma escritora italiana, de ascendência somali. Sua família, após a instauração da ditadura militar na Somália, em 1969, é…
OS MONSTROS DOS MARES Quando MOBY DICK, 593 p., Cosac Naify, foi publicado pela primeira vez, em 1851, Herman Melville (1819-1891) já era um escritor bastante conhecido. No entanto, o calhamaço foi um retumbante fracasso. Obra secular, seminal e portentosa, não conheceu, à época, olhos que enxergassem sua importância literária e histórica. Precisou de décadas, até chegar nos anos 1920,…
QUANDO A FICÇÃO SE CONFUNDE COM A VIDA A primeira pergunta que se pode fazer sobre o icônico filme A NOVIÇA REBELDE (174’), direção de Robert Wise, EUA (1965) é a seguinte. O que faz este filme ser tão apaixonante? A ponto de ser ainda hoje uma das maiores bilheterias no mundo? O sucesso vem desde a estreia, quando logo…