DIÁLOGOS QUE FAZEM JORRAR SANGUE Talvez Quentin Tarantino possa nos responder. Quanto sangue é preciso derramar para se fazer valer uma vingança? Lembremos que vingança só se faz com as próprias mãos. Ou por mãos alugadas, como queiram. Agora, se para reparar um malfeito for preciso recorrer à justiça, que é o caminho civilizado, por se tratar de uma instituição…
O SILÊNCIO QUE NARRA O filme ROMA (135’), do diretor mexicano Alfonso Cuarón, México (2018), já recebeu muitos e esfuziantes aplausos desde que foi lançado, em agosto de 2018, levando o Leão de Ouro em Veneza, e provável levaria a Palma de Ouro se Cannes tivesse posto de lado a incompreensível rabugice de negar a inscrição do filme por se…
O QUE FIZEMOS COM NOSSAS VIDAS? Com SARABAND (111’), SUÉCIA (2004), seu último filme, Ingmar Bergman não deixaria escapar a oportunidade de nos oferecer mais uma de suas obras-primas. E que obra-prima! Vamos ver um Bergman em estado puro, sem nos poupar o que há de mais obscuro e devastador no ser humano. O ódio entranhado na pele envelhecida como…
ATRÁS DE UMA LÁGRIMA HÁ UM SORRISO Com essa surpreendente obra cinematográfica, O GAROTO (50’), EUA (1921), Charlie Chaplin ressurge de um período de crise criativa. Já famoso e reconhecido, podemos assegurar que, com este filme, o roteirista, o diretor e o ator Chaplin fincam de vez os dois pés na fama reservada aos grandes nomes da sétima arte. É…
O INESGOTÁVEL PRAZER DE SE VIVER A VIDA Talvez seja este um filme que mereça ser assistido deitado no tapete, a cabeça acomodada sobre duas ou três almofadas. Ou no sofá mesmo, de fato, mais cômodo para se comer pipoca enquanto vamos degustando o saboroso ZORBA, O GREGO (142’), direção de Michael Cacoyannis, Grécia/EUA (1964). O filme é tirado do…
A DIFÍCIL TAREFA DE SE TORNAR MULHER BONEQUINHA DE LUXO (115’), direção de Blake Edwards, EUA (1961), é uma adaptação customizada do livro homônimo de Truman Capote, badalado escritor norte-americano e autor do famoso romance jornalístico A Sangue Frio. Não há nenhum tipo de intenção pejorativa na utilização do verbo customizar, senão para informar ao espectador que o filme apresenta…
O PODEROSO PODER DO AMOR Inesquecíveis momentos de amor todo mundo sonha em viver. Mas se a realidade não nos oferece de pronto estes desejados momentos, vamos atrás de experimentar amores alheios. Afinal, não custa sonhar através dos outros, principalmente quando estes outros são personagens de ficção. Neste sentido, os filmes românticos podem ser uma boa pedida. Afinal, eles existem…
A CONSCIÊNCIA NOS TORNA VULNERÁVEIS Abajur Lilás faz parte das consideradas quatro principais obras da dramaturgia de Plínio Marcos. A última a ser escrita, em 1969, quando o autor completava apenas 34 anos. No entanto, esta obra, diferente das demais, não conseguiria estrear, censurada quando os ensaios estavam já em sua fase final. A despeito de várias tentativas, Abajur Lilás…
O MUNDO ENTRE QUATRO PAREDES Antes de falar da obra de Plínio Marcos, é preciso, necessariamente, inevitavelmente, falar do homem Plínio Marcos. Nasceu em Santos, em 1935, cidade portuária, portanto, um submundo a céu aberto, onde viveu, transitando freneticamente por muitas profissões, de soldado a biscateiro, de camelô a operário, até jogador de futebol, convivendo com malandros e estivadores. É…
PERDIDOS ENTRE QUATRO PAREDES Quando Plínio Marcos escreveu Dois Perdidos numa Noite Suja, em 1966, tinha ele já em seu currículo de dramaturgo uma trajetória de embates com a censura, com a qual teria que conviver ao longo dos 21 anos de produção literária sob o regime militar. Como ele mesmo confessa em uma de suas entrevistas, fora preso 18…