Roberto Gerin

Artigo Pátria armada, Brasil!, por Roberto Gerin

PÁTRIA ARMADA, BRASIL!

Houve um tempo em que o governo brasileiro instituiu a Campanha do Desarmamento, amparado no Estatuto do Desarmamento, elaborado em 2003. Quem possuísse irregularmente uma arma tinha duas opções. Ou registrar seu porte, ou entregar a arma, de boa-fé, mediante indenização, às autoridades. Foi um sucesso. Previa-se a entrega de 80.000 armas, no entanto, dois anos de campanha e o Exército Brasileiro destruiu mais de 400.000 armas de fogo.

Essa atitude perante o desarmamento como um instrumento de pacificação da sociedade brasileira contrasta sobremaneira com as atitudes do atual governante. O incentivo à compra de armas não tem precedentes em nossa história, a ponto de se vender a falaciosa ideia bíblica de que Jesus também era a favor do armamento. O culto às armas sobrepõe-se ao culto à fé.

As estatísticas de mortalidade por arma de fogo nos aproximam dos índices de uma Guerra Civil!

A ideia de que cada cidadão teria que ter uma arma de fogo em casa como instrumento de paz e de proteção está levando o Brasil a aumentar seus já abismais índices de mortalidade. As estatísticas estão aí, nos alertando. Elas nos aproximam do patamar de uma Guerra Civil.

O mais assustador é presenciarmos o chefe (não líder) maior, a quem caberia dar exemplos de civilidade e bom senso, fazer a apologia da arma como um item pessoal de primeira necessidade. Como autoridade máxima, a quem cabe elaborar políticas públicas de boa convivência social, Bolsonaro tem suas responsabilidades pela escalação da violência no Brasil.

Dito isto, nos remetemos ao ocorrido em Foz de Iguaçu, quando um militante do PT, Marcelo de Arruda, foi morto por causa da temática petista de sua festa de aniversário. Aqui entramos em outra rotação de violência. Com a proximidade das eleições, o acirramento político coloca em risco pessoas que manifestarem publicamente suas posições políticas.

Exaltar a ideia de uma pátria armada Brasil é incentivar a violência.

Mas que fique claro. Polarização só existe quando as duas partes estão dispostas a pelejar por suas posições. Não é esse o caso. A violência é estimulada apenas por uma das partes. Para que tal afirmação seja certificada, conclamo, de forma isenta, a analisarem os comportamentos dos dois candidatos postulantes ao cargo de Presidente do Brasil a respeito do assunto. Será a escolha entre o risco de aumentar a violência, exaltando a Pátria Armada Brasil, ou uma volta à civilidade, retomando a vitoriosa Campanha do Desarmamento.

O desejado é que os brasileiros possam expressar suas opiniões políticas, religiosas e futebolísticas sem que para isso precisem temer a visita de um agressor. Nesse sentido, é necessário que reflitamos sobre a frase de Bolsonaro a respeito do trágico acontecimento de Foz de Iguaçu. Diz ele: “O que tenho a ver com esse episódio de Foz de Iguaçu?”. Seria urgente, como cidadãos, buscarmos uma resposta honesta para essa pergunta.

 

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